advertisemen tO Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para a persistência de um crescimento económico modesto no País, sublinhando a necessidade urgente de reforço da mobilização de receitas internas e de uma gestão mais eficiente da dívida pública. As declarações foram feitas esta quinta-feira (11) pelo representante residente do organismo em Moçambique, Olamide Harrison, durante a apresentação oficial do relatório “Perspectivas Económicas Regionais para África Subsaariana”, realizada em Maputo. No seu discurso, Harrison destacou que o desempenho económico de Moçambique tem sido marcado por uma recuperação gradual, mais lenta do que inicialmente previsto, com projecções de crescimento que exigem um impulso significativo no último trimestre de 2025 para atingir os objectivos estabelecidos pelo Governo. O representante do FMI observou que, para alcançar a meta de 1,3% de crescimento anual, o País teria de registar um incremento trimestral em torno de 11%, o que considera “muito difícil”, face aos dados disponíveis até ao terceiro trimestre do ano.advertisement Harrison sublinhou igualmente a redução gradual da inflação, que passou de mais de 6% no final de 2023 para cerca de 4% em 2025, reflectindo uma normalização dos preços globais de alimentos e energia, bem como o efeito de políticas monetárias prudentes. Este recuo é interpretado como uma evolução positiva, aproximando os níveis actuais dos registados antes da pandemia de covid-19. Apesar destes sinais encorajadores, o FMI reafirma que os riscos macroeconómicos permanecem elevados, sobretudo devido à forte exposição da banca nacional à dívida pública e à crescente pressão sobre o espaço orçamental. Harrison advertiu que cerca de 20% das receitas fiscais em Moçambique estão comprometidas com o serviço da dívida, limitando severamente a capacidade do Estado para realizar investimentos em sectores sociais prioritários. “O crescimento económico em Moçambique permanece modesto, mais gradual do que o esperado, e será muito difícil atingir a meta de 1,3% este ano”Olamide Harrison, representante residente do FMI. Durante a apresentação, o FMI apelou ao reforço da transparência na gestão da dívida e à implementação de reformas estruturais que assegurem a sustentabilidade orçamental a médio prazo. Foram também recomendadas medidas para alargar a base tributária, melhorar a eficiência da Administração Tributária e assegurar a independência das instituições públicas, a fim de restaurar a confiança dos investidores. No contexto externo, o representante do Fundo referiu que as condições de financiamento internacional continuam desafiantes, embora se tenha verificado uma ligeira melhoria desde Abril de 2025. O spread das obrigações soberanas moçambicanas tem vindo a baixar, acompanhando a tendência de outros países da região que regressaram aos mercados de eurobonds. Ainda assim, as taxas de rendibilidade mantêm-se elevadas, dificultando o acesso ao crédito externo. No encerramento da sessão, Harrison reiterou o compromisso do FMI em manter um diálogo construtivo com o Governo, destacando a importância de uma abordagem coordenada que equilibre a estabilidade macroeconómica com as necessidades de desenvolvimento. A apresentação foi seguida de um debate aberto ao público, onde académicos, economistas e representantes de instituições financeiras puderam discutir os desafios que se colocam à economia nacional e as possíveis vias para superá-los. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement
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