A CGTP estima mais de três milhões de pessoas aderiram à greve geral desta quinta-feira, dia 11 de dezembro, anunciou o secretário-geral da central sindical, pouco depois de o Governo ter desvalorizado a adesão. 

“A greve geral que hoje se está a realizar é uma das maiores de sempre, se não a maior de sempre”, disse Tiago Oliveira, em conferência de imprensa de balanço da paralisação, onde revelou uma adesão acima de três milhões de trabalhadores. 
Na opinião do sindicalista, trata-se de uma “força inequívoca pela exigência de mais salários e mais direitos”.
“Hoje temos uma grande, grande, grande greve”, rematou. 
Governo tem outra perspetiva (e desvaloriza adesão à greve)
Estas declarações surgem pouco depois de o Governo ter desvalorizado a adesão à greve geral. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, considera que o nível de adesão é “inexpressivo”, ao contrário do que dizem os sindicatos. 
“Esta parece mais uma greve parcial da Função Pública. O país está a trabalhar. A adesão à greve é inexpressiva”, disse o ministro da Presidência, numa conferência de imprensa de balanço da greve, em Lisboa. “A esmagadora maioria do país está a trabalhar”, rematou. 

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, disse esta quinta-feira que a “esmagadora maioria do país está a trabalhar” em dia de greve geral, sublinhando que o Governo mantém “a abertura para o diálogo”.
Beatriz Vasconcelos | 12:56 – 11/12/2025

“Respeitamos quem faz greve, mas notamos que o país escolheu trabalhar”, acrescentou Leitão Amaro, sublinhando ainda que “se algumas pessoas não conseguiram trabalhar foi pelas perturbações nos transportes”.
A CGTP divulgou entretanto o mais recente balanço da adesão à greve geral, até às 10h50, que dá conta de vários encerramentos, que abrangem autarquias, escolas, serviços de saúde e empresas.
A greve geral de 11 de dezembro foi convocada pela CGTP e pela UGT contra a proposta de revisão do Código do Trabalho e será a primeira paralisação conjunta das duas centrais desde junho de 2013, quando Portugal estava sob intervenção da ‘troika’.
Reforma laboral? Alguns pontos levantam dúvidas constitucionais
Oposição à reintegração dos trabalhadores, alargamento dos serviços mínimos das greves, contratação coletiva e simplificação dos despedimentos são as alterações da reforma laboral do Governo que suscitam dúvidas sobre a sua constitucionalidade a especialistas em Direito do Trabalho.
César Sá Esteves, sócio da SRS Legal e especialista em Direito do Trabalho e Segurança Social, considera que a alteração “mais controversa” do anteprojeto de reforma laboral apresentado pelo Governo é a oposição à reintegração do trabalhador despedido ilicitamente, já que prevê que o empregador pode pedir ao tribunal que “exclua a reintegração, com fundamento em factos e circunstâncias que tornem o regresso do trabalhador gravemente prejudicial e perturbador do funcionamento da empresa”, de acordo com o texto do diploma.
Embora a lei atual já admita a não reintegração quando estão em causa microempresas (até 09 trabalhadores), ou quando o trabalhador a reintegrar tenha exercido um cargo diretivo, o alargamento da medida a todas as empresas, independentemente da sua dimensão, levanta dúvidas sobre a constitucionalidade da medida.
“Se há um despedimento injusto, a consequência natural deveria ser ‘apagar’ o ato ilícito e permitir a reintegração do trabalhador na empresa que o despediu sem justa causa”, explica César Sá Esteves à agência Lusa, recordando que a Constituição proíbe o despedimento sem causa provada.
(Notícia atualizada às 13h29)
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