A British American Tobacco (BAT) anunciou que vai abandonar o mercado nacional, decisão enquadrada na estratégia global de redução da sua presença internacional. A empresa, cotada nas bolsas de Joanesburgo e Londres, não avançou detalhes sobre o calendário de saída nem o impacto da medida no emprego local.
Segundo um comunicado da empresa, tornado público esta quarta-feira, 10 de Dezembro, a BAT Mozambique foi, durante vários anos, a principal fabricante e distribuidora de cigarros no País, chegando a deter mais de 90% do mercado.
A decisão foi confirmada pelo director-executivo da BAT, Tadeu Marroco, que afirmou que “Moçambique integra a lista de mercados dos quais a empresa prevê sair no próximo ano, juntamente com Cuba.”a d v e r t i s e m e n t
O porta-voz da empresa, Daniel Munden, explicou que a saída faz parte de uma estratégia de realocação de recursos para mercados considerados mais rentáveis. Nos últimos anos, o grupo reduziu a sua presença global de cerca de 170 para 140 mercados.
Segundo Daniel Munden, a BAT revê permanentemente a sua presença internacional e não comentou o futuro da operação na África do Sul.
A decisão ocorre num contexto em que, segundo o Africa Organised Crime Index, o contrabando de cigarros entre a África do Sul e Moçambique se faz principalmente pelos corredores de Maputo e da Beira. A BAT South Africa perdeu 40% do volume de vendas desde 2020, devido ao aumento da disponibilidade de cigarros ilícitos no mercado. A empresa reduziu a sua força de trabalho em mais de 30% no mesmo período.
O grupo britânico tem presença histórica na região desde 1904. Em 1999, fundiu-se com a Rothmans International, então detida parcialmente pela família Rupert. Esta família concluiu, no início do ano, a venda de mais de 43 milhões de acções por 1,221 mil milhões de libras.
Na África do Sul, a BAT tem defendido medidas de controlo mais apertadas sobre o comércio ilícito, incluindo a colocação de agentes aduaneiros em fábricas de cigarros. A empresa estima que a evasão fiscal associada ao comércio ilegal representa perdas de 100 milhões de rands por dia (388,8 milhões de meticais), totalizando 28 mil milhões de rands por ano (108,9 mil milhões de meticais).
Um estudo da Ipsos, financiado pela BAT, indica que quase 80% dos retalhistas sul-africanos vendem cigarros ilícitos, muitos abaixo do preço mínimo tributável de 26,22 rands (102 meticais) por maço.
Os resultados da BAT em 2023 foram afectados por uma redução do valor do fundo de comércio relativo à África do Sul no montante de 291 milhões de libras (22,7 mil milhões de meticais), devido ao impacto continuado do comércio ilícito.
A empresa defende ainda a introdução de um preço mínimo de venda de 37 rands por maço (144 meticais), tornando ilegal qualquer venda abaixo deste valor.a d v e r t i s e m e n t
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