Os líderes confundem, muitas vezes, motivação com personalidade. Presumem que algumas pessoas são naturalmente determinadas e outras não. Na realidade, a motivação depende do ambiente.

Quando o colaborador sente que a sua opinião é ignorada ou que as suas ideias são descartadas, a sua energia diminui. E, ironicamente, os melhores colaboradores — aqueles que entregam resultados consistentes — são os primeiros a sentir a perda de propósito.

Eles querem continuar a evoluir e, quando esse impulso é sufocado, desligam-se. Benefícios como almoço gratuito ou “sextas-feiras casuais” não resolvem a falta de estímulo intelectual. As pessoas querem ser desafiadas de forma significativa.

Curiosidade e motivação caminham lado a lado. A sensação de descoberta mantém o trabalho interessante. Estudos de neurociência mostram que a curiosidade estimula a libertação de dopamina, fortalecendo o foco e a memória. Quando líderes convidam os colaboradores a fazer perguntas, experimentar e partilhar ideias, tornam-nos protagonistas do próprio crescimento.

Até acções simples — como pedir sugestões sobre decisões ou alternar projectos entre equipas — podem reacender a energia. Quando o profissional sente que o seu pensamento tem valor, envolve-se mais profundamente com a empresa. Esse envolvimento é a base da retenção de talentos.

Como manter os profissionais motivados

Manter as pessoas motivadas começa por perceber quando a energia está a diminuir. Os sinais são subtis: menos entusiasmo nas reuniões, poucas sugestões, foco apenas em “entregar” e não em “melhorar”.

Quando o colaborador sente que a sua opinião é ignorada ou que as suas ideias são descartadas, a sua energia diminui. E, ironicamente, os melhores colaboradores — aqueles que entregam resultados consistentes — são os primeiros a sentir a perda de propósito

Os gestores podem reverter isso reconectando os profissionais ao propósito. Pergunte o que mais os entusiasma no trabalho ou que competência gostariam de desenvolver e crie espaço para isso. Reconheça o esforço, não apenas os resultados. A retenção aumenta quando as pessoas percebem que crescer faz parte da função, e não uma iniciativa isolada.

Tal como as empresas medem produtividade e envolvimento, devem avaliar se os colaboradores se sentem desafiados e inspirados. Pesquisas rápidas ou conversas individuais ajudam a identificar isso.

Os líderes devem observar padrões e reconhecer que tarefas repetitivas podem levar a índices mais elevados de rotatividade. Ajustar cargas de trabalho, incentivar colaborações entre áreas e criar pequenas iniciativas de aprendizagem ajuda as pessoas a sair da rotina. Quando os líderes medem a motivação, demonstram que se importam com o desenvolvimento — não apenas com o desempenho.

O que as empresas ganham com profissionais motivados?

As organizações que priorizam a motivação não apenas mantêm talentos por mais tempo, como também alcançam melhores resultados. Pessoas motivadas são mais inovadoras, colaborativas e resilientes. Adaptam-se mais rapidamente às mudanças porque estão habituadas a pensar de forma criativa.

O tédio corrói a motivação quando os líderes deixam de prestar atenção ao que faz as pessoas prosperarem e sentirem que estão a desenvolver-se. As culturas mais fortes são as que valorizam a curiosidade. A chave para a retenção é manter o trabalho interessante, permitir que as pessoas tragam ideias e dar espaço para que cresçam. Assim, o tédio não tem lugar.

Fonte: Forbes Brasil

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