O Governo prevê um aumento de 3% na capacidade de produção de rubis em 2026, ultrapassando os quatro milhões de quilates. A projecção resulta da retoma das actividades de uma das empresas que operam no País e consta das previsões orçamentais, que comparam este aumento com os 3,9 milhões de quilates esperados para este ano e os quatro milhões produzidos em 2024. O Executivo estima, para 2026, uma produção total de 4,1 milhões de quilates. No documento divulgado pelo Ministério das Finanças, que supervisiona a gestão das contas públicas, lê-se que “esta previsão está associada à paralisação das actividades de produção da terceira maior empresa produtora desta gema”, cuja retoma deverá reforçar o volume nacional. Actualmente, cerca de 70% da produção de rubis é destinada à exportação, meta que o Executivo pretende elevar para 79% até 2029. Apesar disso, as receitas caíram 30% no primeiro trimestre, para 5,1 milhões de dólares, valor inferior aos 7,2 milhões registados entre Janeiro e Março de 2024, segundo dados do Banco de Moçambique. A redução das receitas está relacionada com desafios operacionais no sector. A Gemfields, empresa britânica que detém operações mineiras em Moçambique, adiou para o início de 2026 o habitual leilão de rubis da mina de Montepuez. A empresa justificou o adiamento com a “sabotagem” diária praticada por centenas de mineiros ilegais na nova unidade em construção, situada na província de Cabo Delgado. Num comunicado divulgado em Outubro, a Gemfields, que lidera a Montepuez Ruby Mining (MRM), explicou que decidiu adiar o leilão previsto para Novembro/Dezembro devido ao “atraso previamente anunciado na entrada em funcionamento definitivo da segunda fábrica de processamento”, atraso esse que foi “agravado pela acção de mineiros ilegais”. A Gemfields detalhou que entre 250 e 400 mineiros ilegais têm afectado “significativamente” a operação, sabotando infra-estruturas essenciais. A empresa alertou ainda que os rubis extraídos ilegalmente prejudicam os preços de mercado e reduzem as receitas fiscais do País, embora assegure que continua a cooperar com as autoridades moçambicanas competentes para mitigar este impacto. A MRM prevê triplicar, para 600 toneladas por hora, a capacidade de processamento na mina. Esta expansão integra um investimento de 70 milhões de dólares realizado numa concessão de 35 mil hectares, detida em 75% pela Gemfields e em 25% pela Mwiriti, empresa moçambicana parceira no projecto. A Gemfields reconhece que a construção da segunda unidade de processamento, designada PP2, constitui “um projecto crucial” para aumentar a produção de rubis de qualidade “premium” e gerar mais receitas até ao final de 2025. A empresa acrescentou que esta nova unidade poderá permitir futuras expansões para “outras áreas de mineração” dentro da mesma concessão. A MRM emprega actualmente 1300 trabalhadores, dos quais 94% são moçambicanos. O Governo acredita que, com a resolução dos constrangimentos causados ​​pelos mineiros ilegais e o reforço da capacidade industrial, a produção de rubis poderá voltar a crescer, contribuindo para o aumento das exportações e das receitas do País. Fonte: Lusa

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