Ásia tropeça com política monetária em foco. Europa aponta para ganhos


As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta segunda-feira maioritariamente em baixa, com o nervosismo dos investidores a fazer-se sentir em antecipação de mais uma reunião de política monetária da Reserva Federal (Fed) norte-americana. É esperado um corte de 25 pontos-base nas taxas de juro esta quarta-feira, mas o cenário complica-se para 2026, com os mercados bastante divididos em relação aos próximos passos do banco central.


“Os investidores estão a retirar as fichas da mesa, à espera da decisão da Fed”, explica Frederic Neumann, economista-chefe do banco HSBC, à Bloomberg. “Com a incerteza persistente sobre o caminho do banco central em 2026, os investidores vão analisar as projeções do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC) com especial atenção”, acrescenta. 


Pela China, o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,3% e o Shanghai Composite cedeu 0,4%. As perdas dos dois índices acabaram por adensar-se após Donald Trump, Presidente dos EUA, ter afirmado que a Nvidia vai voltar a poder exportar os “chips” H200 – os segundos mais potentes do seu reportório – para o país asiático. No entanto, e como contrapartida, Washington vai receber uma tarifa de 25% sobre as receitas. 


Já pelo Japão, o Topix conseguiu terminar à tona, embora com ganhos pouco expressivos de 0,02%, enquanto o Nikkei 225 acelerou 0,14% – numa sessão marcada por grande volatilidade. O setor tecnológico deu força aos índices nipónicos para contrariar a tendência do continente, com a Konica Minolta e a Disco Corp a acelerarem cerca de 5% e a registarem os melhores desempenhos entre as mais de duas centenas de cotadas que compõe o seleto Nikkei 225. 


Entre as restantes praças asiáticas, o sul-coreano Kospi caiu 0,27%, enquanto o indiano Nifty 50 cede, a esta hora, cerca de 0,3%. Já pela Austrália, o  S&P/ASX 200 deslizou 0,45%, depois de o banco central do país ter decidido manter as taxas de juro inalteradas nos 3,6% e ter adotado uma narrativa mais agressiva para o futuro, ao afirmar que “vai ser preciso mais tempo para avaliar a persistência das pressões inflacionárias”. 


Na Europa, antecipa-se uma sessão de ligeiros ganhos, com os futuros do Euro Stoxx 50 a acelerarem 0,1%, após uma sessão turbulenta, marcada pelas declarações do membro da comissão executiva do Banco Central Europeu (BCE) Isabel Schnabel, que mostra-se “confortável” com as expectativas do mercado de que a próxima decisão de mexer nos juros diretores seja para os aumentar. 

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