A Kutsaca ONGD concluiu mais um ciclo do Programa Clube dos Embaixadores na Aldeia de Mahungo, no Bilene, certificando dez jovens activistas locais, maioritariamente mulheres, com o apoio do BCI – patrocinador oficial do programa e certificação reconhecida pela UNU – Universidade das Nações Unidas. O Clube dos Embaixadores é um Train the Trainer para activistas locais, que, através das três vertentes do “Cuidar: Cuidar de Mim, Cuidar dos Outros e Cuidar do Todo”, inspira jovens e líderes a participar no desenvolvimento do seu lugar a partir de um paradigma sistémico e regenerativo. Este programa, completamente inovador no seu contexto, faz uma abordagem integrada às vertentes social, cultural, ecológica e económica e assenta no trabalho em rede, sempre em parceria com pontos focais locais, e através da educação de pares. São os embaixadores que dinamizam as acções colectivas na sua comunidade, nas escolas, bairros, reuniões comunitárias, mercados, missa e operadores locais. Neste ano, realizaram-se, em Moçambique, três programas de formação, representando um total de 67 sessões e 94 horas de formação, em que se incluíram 16 acções presenciais nas áreas de: Agricultura regenerativa na estufa da escola, também patrocinada pelo BCI, e com uma campanha de expansão em curso apoiada pela ZEW – Zero Emissions Wold; Campanhas de sensibilização e palestras sobre Paz e Sustentabilidade, Igualdade de Género, Solo, Água e Ar, Acção Climática e Saúde e riscos locais; Workshop presencial aberto a toda a comunidade, sobre Literacia Financeira, acolhido pelo BCI; Actividades de plantação nas escolas e aldeia; Acções de limpeza colectivas no mercado e praia. O ciclo contou com a participação de 12 mentores, três líderes comunitários e impactou 790 pessoas na comunidade. A representante da Kutsaca ONGD, Susana Cravo, explicou: “Para além dos resultados já visíveis, o mais importante é a mudança de paradigma que vamos semeando nos embaixadores. Muitas vezes, a regeneração é olhada a partir do antigo paradigma ‘Coisas que se fazem’, mas o convite é a ‘participar na vida’ de outra forma, e, portanto, a primeira coisa a regenerar é o pensamento.” “Isto pode ser desconfortável e difícil, porque implica sermos capazes de nos abrir a questionar padrões, a desaprender o que julgávamos seguro e fiável. Mas só a partir desta humildade e curiosidade, conseguimos ressignificar a identidade e relação, e passar do ‘Mundo da Separação’ para o ‘Mundo do InterSer’, e do Paradigma de ‘Combate e do Problema’ para o da ‘Cooperação e do Potencial’.” Susana Cravo acrescenta: “Colectivamente, mesmo a um nível institucional e organizacional, estamos ainda muito num paradigma de ‘parar a desordem ou extracção’, cumprindo normas, criando programas de sustentabilidade e práticas ‘verdes’, que estão, na verdade, ainda muito no business as usual, ou baseadas já numa acção restaurativa, em que se vai fazer coisas pelo planeta. Em particular no mundo da Cooperação, trabalha-se muito a partir do paradigma de ‘fazer o bem’ e do Arquétipo de Salvador, que vai combater problemas.” O Clube dos Embaixadores já está em Cabo Verde desde 2025, onde conta com 12 activistas locais, com experiência, recomendados pelos parceiros Quercus Cabo Verde, Direcção Nacional do Ambiente, Direcção Nacional da Educação, Universidade de Cabo Verde, Município da Ribeira Grande de Santiago e ESAD. O mesmo clube vai começa a sua 1.ª Edição em Portugal em Janeiro de 2026, com um ciclo aberto, intergeracional e interdisciplinar.
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