O ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, afirmou que o país tem cerca de 51% da população fora do sistema financeiro formal e pretende alcançar, até 2027, uma taxa de inclusão financeira de 65%. De acordo com a Lusa, Massano, que discursava no acto de lançamento da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF), referiu que os inquéritos realizados revelam ainda que apenas um em cada quatro angolanos possui um bom nível de literacia financeira e que o acesso está concentrado em Luanda, capital de Angola, no litoral e na região centro do país. O diagnóstico realizado durante a pré-formulação da ENIF revelou desafios reais, nomeadamente que têm contas bancárias 30,91% da população, sendo ainda uma das barreiras o limitado acesso ao bilhete de identidade, que o conhecimento financeiro e acesso aos produtos financeiros (crédito, poupança e seguros) são limitados e os pagamentos digitais emergentes.advertisement A realidade actual, acrescentou José de Lima Massano, é influenciada por factores históricos, mas também pelos vários condicionalismos estruturais que ainda existem no percurso de desenvolvimento. O governante angolano salientou que a ENIF pretende facilitar a integração de todos os segmentos da população no circuito formal da economia, “ou seja, permitir que cada cidadão, independentemente da sua condição social, género, idade ou localização geográfica, tenha acesso a serviços financeiros funcionais, seguros e a custos comportáveis”. Esta estratégia passa por aumentar a literacia financeira dos cidadãos, dotando-os das competências para gerirem as poupanças, crédito e investimento, promover o microcrédito e outros instrumentos financeiros, apoiando pequenos e médios empresários, a “espinha dorsal” da economia angolana, realçou José de Lima Massano. “(Pretende-se) a dinamização da banca digital e móvel, garantindo que mesmo as comunidades mais remotas possam aceder a serviços financeiros de modo seguro e pelo fortalecimento de parcerias com o sector privado, sociedade civil e organizações internacionais para mobilizar recursos e conhecimento”, referiu. Segundo o ministro, o ENIF é um instrumento abrangente de política pública, que, viabilizando o acesso alargado dos cidadãos e operadores económicos ao sistema financeiro, tem o potencial para transformar vidas e acentuar a dinamização da economia. “Facilita a poupança, o acesso ao crédito e aos seguros e aos sistemas de pagamento, ajudando as pessoas e as empresas a gerir riscos, a fazer investimentos e a gerar renda”, referiu. O diagnóstico realizado durante a pré-formulação da ENIF revelou desafios reais, nomeadamente que têm contas bancárias 30,91% da população, sendo ainda uma das barreiras o limitado acesso ao bilhete de identidade, que o conhecimento financeiro e acesso aos produtos financeiros (crédito, poupança e seguros) são limitados e os pagamentos digitais emergentes Por sua vez, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA) e coordenador do Conselho de Supervisores do Sistema Financeiro e do subcomité técnico da ENIF, Tiago Dias, referiu que o pensamento angolano sobre a inclusão financeira evolui, deixando para trás apenas a missão para incluir mais pessoas no sistema financeiro, passando a ser uma prioridade nacional. “O que pretendíamos era aumentar o acesso aos serviços financeiros formais, por via de uma conta bancária ou de pagamentos, um produto de seguro ou de qualquer tipo de serviço financeiro e medirmos o sucesso pelo número de pessoas incluídas no sistema formal”, afirmou o governador do banco central angolano. Mas hoje, prosseguiu Tiago Dias, a preocupação “vai mais longe” e passa sobretudo por compreender o quanto ainda é preciso avançar e como fazê-lo de forma mais rápida, eficiente e segura. Dias defendeu que é preciso garantir que a estratégia não seja apenas um instrumento para aumentar o acesso ao sistema financeiro, mas que garanta também o uso e qualidade dos serviços entregues à população, garantindo a satisfação das reais necessidades e que estejam capacitadas para usar os instrumentos disponíveis, “de forma consciente, segura e no seu melhor interesse”.
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