O director dos Serviços Distritais de Infra-estruturas na Zambézia, João Tsembane, afirmou, nesta sexta-feira, 5 de Dezembro, que pelo menos seis mineradoras somaram prejuízos de mais de 20,3 milhões de euros naquela província do centro do País, devido às manifestações pós-eleições de 2024.

“Essas manifestações criaram um prejuízo de cerca de 20,3 milhões de euros, um levantamento provisório, porque agora está a avaliar-se a recuperação dos estaleiros. Esse valor também vai contar nos prejuízos, assim como dos equipamentos que também foram vandalizados”, declarou João Tsembane, citado pela comunicação social local.

De acordo com a Lusa, um levantamento provisório realizado pelas autoridades indica que o valor calculado respeita a seis empresas que antes contribuíam “em grande medida” para as receitas da província, que depois eram alocadas para benefício das comunidades locais.

“Não foram só as empresas que perderam; perdeu a comunidade no geral”, acrescentou Tsembane, lembrando que, segundo a lei, uma percentagem dos ganhos na exploração de recursos deve beneficiar as comunidades locais.

O director provincial referiu que as receitas fiscais que deixaram de ser cobradas eram alocadas para implementar projectos de construção de infra-estruturas nas comunidades e apontou perdas de emprego neste sector devido aos protestos.

Segundo João Tsembane, neste momento, algumas empresas afectadas voltaram a funcionar, mas alertou para a presença massiva de garimpeiros que invadiram as áreas concessionadas às mineradoras para a exploração de recursos.

“Neste momento, a província, junto de todas as instituições, como o comando provincial da polícia, está a fazer um trabalho em estudo para encontrar uma forma de conversar com os irmãos que estão lá e que invadiram as áreas concessionadas para praticar o garimpo, no sentido de cautelar, mas sem usar a violência, porque se trata de muita gente”, vincou o responsável.

Moçambique viveu a sua pior crise eleitoral, com manifestações convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados das eleições de Outubro de 2024 que deram a vitória a Daniel Chapo como quinto Presidente de Moçambique.

Pelo menos 2790 pessoas continuam detidas, de um total de 7200, um ano após o início daquelas manifestações no País, que provocaram 411 mortos, segundo dados da plataforma Decide divulgados em Outubro.

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