a d v e r t i s e m e n tOs Estados Unidos da América (EUA) estão a reavaliar as suas relações com a Tanzânia devido a preocupações com a liberdade religiosa, liberdade de expressão, obstáculos aos investimentos norte-americanos e violência contra civis, informou o Departamento de Estado norte-americano nesta quinta-feira (4).
De acordo com a Reuters, os EUA emitiram alertas de segurança para os americanos no país da África Oriental depois das eleições gerais de Outubro terem sido marcadas por manifestações violentas. Grupos de direitos humanos, partidos da oposição e as Nações Unidas afirmaram que centenas de pessoas terão sido mortas nos confrontos, embora o Governo conteste esses números como exagerados.
A Presidente tanzaniana, Samia Suluhu Hassan, afirmou que as eleições foram justas e prometeu investigar a violência após a agitação ter levado à maior crise política do país em décadas.
O Departamento de Estado sublinhou que os EUA estavam a realizar uma revisão abrangente após acções recentes do Governo terem levantado sérias preocupações sobre as relações bilaterais e a fiabilidade da Tanzânia como parceiro.
“A repressão contínua do Governo da Tanzânia à liberdade religiosa e à liberdade de expressão, a presença de obstáculos persistentes ao investimento dos EUA e a violência perturbadora contra civis nos dias que antecederam e se seguiram às eleições de 29 de Outubro no país exigiram essa reconsideração dos nossos laços”, afirmou o Departamento em comunicado, acrescentando que essas acções colocavam os americanos em risco.
Numa declaração separada, especialistas em direitos humanos da ONU afirmaram que também tomaram conhecimento de relatos de que os restos mortais das pessoas mortas nos confrontos eleitorais estavam a ser enterrados em valas comuns não identificadas ou incinerados após desaparecerem dos necrotérios (morgues).
“O Governo deve fornecer informações sobre o destino e o paradeiro de todas as pessoas desaparecidas e garantir a identificação e a devolução digna dos restos mortais às suas famílias”, afirmaram os especialistas.
O porta-voz do Governo da Tanzânia, Gerson Msigwa, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a declaração dos EUA.
Em resposta à declaração dos especialistas da ONU, Msigwa afirmou que muitos relatos que circulam nos media e nas plataformas sociais carecem de provas verificadas. “É importante que permitamos que a equipa de investigação conclua o seu trabalho para que possamos contar com informações precisas e números confirmados”, declarou o responsável,
O Departamento de Estado não deu mais detalhes sobre o que considera “obstáculos” ao investimento dos EUA na Tanzânia.
Em Novembro passado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, colocou a Nigéria de volta na lista de países que, segundo os EUA, violaram a liberdade religiosa, citando o assassinato de cristãos.
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