O Governo angolano inaugurou, nesta quarta-feira (3), o maior parque fotovoltaico autónomo (off-grid) da África Subsaariana, uma infra-estrutura que vai permitir levar, pela primeira vez, electricidade contínua a uma comunidade isolada de mais de 130 mil habitantes. Localizada na capital da nova província do Moxico Leste, na cidade do Cazombo, uma região remota que fica a mais de 1500 quilómetros de Luanda, a obra construída pela empresa portuguesa MCA integra tecnologias inovadoras, incluindo um sistema de acumulação de baterias e a tecnologia Blackstart, que permite o arranque automático em caso de falhas. “Se, no futuro, o sistema estiver ligado a uma rede evitará apagões como o que aconteceu em Portugal em Abril deste ano”, explicou Elisabete Alves, directora de Operações do grupo MCA, durante a visita à obra, sublinhando que esta é também “a primeira central totalmente renovável” no país.advertisement O Cazombo faz parte das 60 localidades incluídas num plano de electrificação do Governo angolano destinado a fornecer electricidade a mais de 200 mil casas, beneficiando cerca de um milhão de pessoas. O investimento total é de aproximadamente 862 milhões de euros, segundo o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges. “Além do impacto imediato de permitir acesso a electricidade 24 horas por dia a cerca de 136 mil pessoas, o projecto solar traduz-se numa poupança anual estimada de quase 10 milhões de litros de combustível, um recurso escasso, caro e de difícil transporte até esta zona remota”, afirmou o ministro, sublinhando que é “um marco histórico para a província do Moxico Leste e para Angola. Muito mais do que painéis solares: significa progresso, inclusão e independência energética.” Por estrada, o Google Maps estima que sejam necessárias pelo menos 21 horas para chegar ao Cazombo, mas o trajecto pode ultrapassar mais do que um dia devido à inexistência de estradas pavimentadas. O impacto ambiental é igualmente significativo, com uma redução estimada de 37 mil toneladas de dióxido de carbono por ano. Na capital desta nova província, prestes a completar o seu primeiro aniversário, estão já instaladas 12 das 16 mil ligações domiciliárias previstas, das quais três mil já activas, que serão servidas pela central de 25 megawatts (MW) de potência e 75 MW de capacidade de armazenamento, composta por 40 320 painéis solares de tecnologia sul-coreana. “Além do impacto imediato de permitir acesso a electricidade 24 horas por dia a cerca de 136 mil pessoas, o projecto solar, traduz-se numa poupança anual estimada de quase 10 milhões de litros de combustível, um recurso escasso, caro e de difícil transporte até esta zona remota. É um marco histórico para a província do Moxico Leste e para Angola.”João Baptista Borges O pacote solar inclui ainda obras nas províncias do Bié, Malanje, Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico e Moxico Leste, envolvendo um programa de electrificação com potência total instalada de 256 megawatts-pico (MWp) e 595 megawatts-hora (MWh) de armazenamento em baterias. Visivelmente satisfeito, tal como alguns dos moradores de Cazombo já com luz em casa, o governador do Moxico Leste, Crispiniano dos Santos, acredita que este projectos vão impulsionar o desenvolvimento agrário e industrial da província. Ao mesmo tempo, o governante espera que mobilizem investimento privado e emprego para parte dos 411 mil habitantes desta província com 72 mil quilómetros quadrados, na zona leste de Angola, junto à fronteira com a Zâmbia. No Cazombo, a MCA está também envolvida no projecto de captação e tratamento de água a partir do rio Zambeze, destinado ao abastecimento da população, prevendo-se a conclusão da obra até Julho de 2027. Este projecto do Ministério da Energia e Águas para o sector da água abrange 49 localidades em cinco províncias, com um investimento de 870 milhões de euros.

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