O Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM), entidade pública responsável pela promoção e desenvolvimento da cadeia de valor do algodão, apresentou no Mozambique Fashion Forum 2025 – evento dedicado à inovação, moda sustentável e empreendedorismo criativo, que decorre em Maputo desde segunda-feira, 1 de Dezembro, e termina esta terça-feira – os avanços e desafios das iniciativas comunitárias de processamento artesanal do algodão em várias províncias produtoras.
A directora de Serviços Centrais de Promoção de Mercados de Acréscimo de Valor do IAOM, Ancha Ismail, explicou que estas iniciativas resultam de formações realizadas ao abrigo de um memorando de entendimento com a Etiópia, país reconhecido pela sua experiência em tecelagem. As formações permitiram capacitar técnicos moçambicanos em testes artesanais, fabrico de teares mecânicos, fiação e tecelagem, com apoio adicional do Fundo de Promoção da Agricultura, Indústria e Comércio (FPLAIC), que financia projectos de valor acrescentado.
Segundo Ancha Ismail, os técnicos regressaram ao País como formadores nacionais e disseminaram o conhecimento em comunidades rurais. Nessas áreas foram criadas associações de processamento artesanal nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e no distrito de Cuamba, em Niassa. Cada associação recebeu equipamentos, formação e apoio institucional, permitindo fortalecer a produção local.
O IAOM desempenhou um papel decisivo ao facilitar a instalação de centros de processamento, garantir matéria-prima, assegurar supervisão técnica, certificar as formações e criar modelos de negócio sustentáveis. A instituição reforçou ainda parcerias com organizações não-governamentais, empresas têxteis e associações comunitárias, integrando agricultura, criatividade e empreendedorismo juvenil num único circuito produtivo.
Ao longo dos anos, estas iniciativas receberam apoios determinantes: em 2019, o Textile Revival Fund apoiou a criação das primeiras linhagens artesanais; em 2020, a empresa Jean Ferreira de Santos forneceu equipamentos e formação em gestão; em 2021, a Netherlands Development Organisation reforçou o empreendedorismo juvenil; e, em 2023, o Fórum Nacional dos Produtores de Algodão criou uma associação focada na mobilização comunitária. Estes contributos permitiram estruturar as bases do sector artesanal.
Por sua vez, a estilista Isis Mbanga destacou o impacto destas acções na moda nacional, afirmando que “o algodão moçambicano tem potencial para conquistar mercados internacionais se houver investimento contínuo na formação e na qualidade”. Acrescentou que o trabalho comunitário “reforça a identidade cultural do País e mostra que o ‘made in Mozambique’ pode competir com marcas africanas consolidadas.”
O empoderamento feminino foi igualmente sublinhado por Ancha Ismail, que destacou o papel das mulheres em actividades como fiação, tingimento, corte e costura. Estas acções têm permitido gerar rendimentos próprios, maior autonomia económica e uma participação mais expressiva das mulheres na cadeia produtiva e comercial do algodão.
“O algodão moçambicano tem potencial para conquistar mercados internacionais se houver investimento contínuo na formação e na qualidade”Isis Mbanga
Os impactos económicos incluem geração de emprego local, valorização do algodão, expansão do microcrédito feminino e desenvolvimento de produtos artesanais que combinam técnicas tradicionais com design contemporâneo. Contudo, persiste o desafio de internacionalizar as peças criadas pelas comunidades, ampliando o alcance das marcas e fortalecendo o selo artesanal ‘made in Mozambique’.
Apesar dos avanços, Ancha Ismail alertou para as dificuldades ainda presentes, como o acesso a financiamento, a certificação internacional, a necessidade de mercados mais rentáveis e a modernização tecnológica. As prioridades futuras passam por posicionar Moçambique na moda sustentável global, criar colecções de luxo femininas e consolidar o selo nacional ‘made in Mozambique’ como referência de qualidade e identidade cultural.
Texto: Florença Nhabindea d v e r t i s e m e n t
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