advertisemen tA organização não-governamental ambiental Friends of the Earth apelou esta terça-feira (2) à retirada do apoio financeiro internacional ao megaprojecto de gás natural liderado pela TotalEnergies na província de Cabo Delgado, instando países como Itália, Japão, Estados Unidos da América e África do Sul a seguirem a decisão do Reino Unido, que anunciou oficialmente a cessação do seu envolvimento. Segundo a Lusa, o apelo surge dias depois de o Governo britânico ter comunicado ao Parlamento, em Londres, o encerramento da participação do Fundo de Financiamento de Exportações do Reino Unido (UKEF) no projecto Mozambique LNG, numa decisão justificada pelo aumento dos riscos associados ao investimento, bem como pela alegada incompatibilidade com os interesses estratégicos britânicos. O apoio do UKEF totalizava 1,1 mil milhões de dólares (91,3 mil milhões de meticais), aprovado em 2020. Segundo a Friends of the Earth, o projecto apresenta “uma enorme pegada de carbono” e representa “uma bomba-relógio climática”, estimando-se que a sua operação venha a gerar cerca de 4,5 mil milhões de toneladas de emissões de gases com efeito de estufa ao longo do seu ciclo de vida — um volume superior ao das emissões anuais combinadas dos 27 Estados-membros da União Europeia. O director executivo da organização, Asad Rehman, considera que o Governo britânico “agiu correctamente” ao retirar o apoio a um empreendimento que classifica como “profundamente prejudicial e controverso”, acusando ainda a multinacional francesa de envolvimento indirecto em violações de direitos humanos. Estas acusações alinham-se com uma queixa-crime apresentada em Novembro pelo Centro Europeu para os Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR) junto da Procuradoria Nacional Antiterrorismo de França. A denúncia imputa à TotalEnergies alegada cumplicidade em crimes de guerra, incluindo tortura e desaparecimento forçado, através do apoio à task force conjunta composta por efectivos moçambicanos. A empresa nega qualquer envolvimento. Em reacção, o Presidente da República, Daniel Chapo, rejeitou as acusações e reafirmou que a Comissão Nacional de Direitos Humanos conduziu investigações exaustivas em Cabo Delgado sem encontrar evidências que sustentem tais alegações. “Não constatámos as questões evocadas por jornais e pretensos investigadores internacionais”, declarou. O projecto Mozambique LNG, avaliado em 20 mil milhões de dólares (1,6 bilião de meticais), esteve suspenso durante mais de quatro anos devido à insegurança na região, mas prepara-se para retomar as actividades. O Governo moçambicano concedeu à TotalEnergies um prazo de 30 dias para apresentar o cronograma de retoma, sublinhando que este não deverá depender da conclusão da auditoria aos custos incorridos durante o período de força maior.
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