Os empresários moçambicanos manifestaram interesse em levar as relações comerciais com a Índia a um ”novo patamar” nas áreas da agricultura, energia, indústria, saúde e tecnologia, recordando o histórico das exportações para o país asiático nos últimos cinco anos, reportou a Lusa, nesta quarta-feira (26).
De acordo com a Confederação das Associações Económicas (CTA), a intenção foi manifestada durante o Fórum de Negócios Moçambique-Índia, realizado nesta terça-feira, em Maputo, para “consolidar parcerias e o comércio bilateral” entre os dois países.
“O presidente da CTA, Álvaro Massingue, descreveu o fórum como uma plataforma ideal para elevar as relações comerciais existentes entre Moçambique e Índia para um novo patamar, com a diversificação de investimentos”, lê-se num comunicado da confederação.
O documento explica que esta diversificação inclui as áreas da agricultura e agro-indústria, com a disponibilidade de 36 milhões de hectares de terras aráveis e recursos hídricos abundantes em Moçambique, enquanto a Índia possui tecnologia agrícola acessível, sistemas de irrigação modernos e experiência consolidada em agro-processamento.
Na energia e nos recursos naturais, Álvaro Massingue destacou o potencial moçambicano com uma das maiores reservas de gás natural do mundo e a procura energética crescente da Índia, assinalando também a liderança global do país asiático em medicamentos genéricos e produção farmacêutica a baixo custo, enquanto Moçambique necessita “urgentemente” de ampliar o acesso a medicamentos, equipamentos e soluções de saúde.
Por sua vez, o alto comissário da Índia em Moçambique, Robert Shetkintong, também citado no documento, destacou as relações históricas entre os dois países, fazendo menção à participação, com 30%, de três empresas públicas indianas no projecto Área 1 liderado pela TotalEnergies.
“Até à data, as três empresas investiram mais de 10,5 mil milhões de dólares. As três principais operações de mineração de carvão em Tete pertencem a investidores indianos, nomeadamente a Vulcan, com exportações anuais de cerca de 3,5 mil milhões de dólares, e a ICVL e a Jindal Steel, com exportações anuais de cerca de 500 milhões de dólares cada”, afirmou Shetkintong.
Já António Grispos, secretário de Estado para o Comércio, também mencionado no documento, assegurou que o Governo vai continuar a realizar reformas para melhorar o ambiente de negócios, factor que poderá contribuir para a criação de emprego e transformação profunda da economia do País.
O comércio bilateral entre Moçambique e Índia ultrapassou, em 2024, os 800 milhões de dólares (50,6 mil milhões de meticais), segundo dados revelados esta terça-feira (25), durante o Fórum Empresarial Moçambique-Índia. O montante foi impulsionado pela exportação de gás natural, carvão, algodão, castanha de caju e outros produtos agrícolas, bem como pela importação de bens de capital, viaturas, maquinarias, produtos farmacêuticos, testes e equipamentos electrónicos.
Grispos também lembrou do volume de exportações indianos no mercado moçambicano, com um investimento total de 423,5 milhões de dólares nos últimos dez anos, tendo entrado na lista dos top dez dos maiores investidores na economia moçambicana em 2024, ocupando precisamente a 10.ª posição, em termos de investimento directo aprovado.
“Em termos comerciais, a Índia é o maior destinatário das exportações de Moçambique nos últimos cinco anos, com 5,7 milhões de dólares, desde produtos tradicionais do sector minério bem como de produtos agrícolas, destacando-se o acesso preferencial do feijão bóer moçambicano no mercado indiano, impulsionado pela renovação e inclusão do Acordo da Quota de Feijão até o presente ano de 2025”, concluiu-se.
O comércio bilateral entre Moçambique e Índia ultrapassou, em 2024, os 800 milhões de dólares (50,6 mil milhões de meticais), segundo dados revelados esta terça-feira (25), durante o Fórum Empresarial Moçambique-Índia. O montante foi impulsionado pela exportação de gás natural, carvão, algodão, castanha de caju e outros produtos agrícolas, bem como pela importação de bens de capital, viaturas, maquinarias, produtos farmacêuticos, testes e equipamentos electrónicos.a d v e r t i s e m e n t
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