Vários especialistas têm observado uma crescente preferência por “skillcations”, um tipo de férias em que os profissionais utilizam o tempo de descanso para aprender novas competências ou aperfeiçoar as que já possuem.
A tendência, descrita como uma forma de unir lazer e desenvolvimento pessoal, tem sido apresentada como alternativa às férias tradicionais, que muitas vezes não proporcionam a sensação de renovação desejada.
Segundo David Dominguez, vice-presidente de pessoas da plataforma digital suíça Smallpdf, citado pela Forbes Brasil, muitos trabalhadores referem que o envolvimento em actividades que desafiam a mente e o corpo pode gerar uma sensação de progresso e domínio, contribuindo para um regresso ao trabalho mais motivado e revigorado. A psicologia tem sido apontada como suporte para a ideia de que a renovação nem sempre resulta da inactividade, mas antes da mudança de contexto e da aprendizagem.
Relatórios de consultoras de turismo indicam que uma parte significativa dos viajantes prefere actualmente experiências activas, como expedições fotográficas, retiros de ioga ou cursos intensivos de línguas. Estes programas são vistos como oportunidades para cultivar curiosidades pessoais e desenvolver criatividade, ao mesmo tempo que proporcionam descanso.
Contudo, alguns especialistas alertam para o risco de se transformar o período de férias em trabalho disfarçado. Há quem defenda que a pressão para “aproveitar” ao máximo o tempo livre pode gerar fadiga mental ou até contribuir para o esgotamento. Argumenta-se que o desenvolvimento de competências deveria ser integrado nos programas formais das empresas, permitindo que o período de férias fosse dedicado prioritariamente ao descanso.
Por outro lado, Laura Lindsay, especialista global em tendências de viagem da Skyscanner, refere que, para muitos, as skillcations têm precisamente o efeito contrário, ajudando a combater o esgotamento ao permitir o desenvolvimento de interesses pessoais alheios ao trabalho. A escolha de actividades ligadas a paixões individuais — como gastronomia, literatura, artesanato, desporto ou dança — tem sido apontada como a chave para que estas experiências tragam satisfação e revitalização.
Dados da Skyscanner apontam que quase metade dos viajantes está a orientar o planeamento das férias com base em actividades específicas, procurando experiências imersivas que lhes permitam aprender algo novo. Esta abordagem tem sido descrita como mais autêntica do que outras tendências recentes, como as chamadas “férias silenciosas”.
Analistas do mercado de trabalho consideram que, num contexto de forte integração entre vida profissional e pessoal, as skillcations tendem a manter-se como uma opção relevante. Algumas empresas já começaram a integrar este tipo de experiências em programas de liderança e inovação, relatando que os participantes regressam mais criativos, focados e conectados. A aprendizagem contínua e o bem-estar têm sido apresentados como factores que sustentam a popularidade crescente desta tendência.
Fonte: Forbes Brasil
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