Moçambique defendeu esta quarta-feira (26), durante a Cimeira União Africana-União Europeia (UA-UE), o aproveitamento das facilidades internas de mobilidade como alavanca para atracção de investimento estrangeiro e reforço da cooperação técnica. O posicionamento foi apresentado pelo Presidente da República, Daniel Chapo, no último dia do encontro, realizado sob o lema “Moldar um Futuro Próspero e Sustentável para África e a Europa”.

Segundo informou o jornal O País, no seu discurso, o chefe do Estado destacou que o País reúne condições favoráveis à migração ordenada e ao investimento produtivo, particularmente em áreas como a formação técnico-profissional, a empregabilidade de jovens e mulheres, a troca de experiências académicas e o reforço da capacidade institucional.

“Falar da migração e mobilidade em Moçambique é olhar para as oportunidades que podemos criar em diversas áreas, tais como o emprego, a cooperação técnica, a formação de quadros e o investimento. O nosso país desempenha simultaneamente os papéis de origem, trânsito e destino de fluxos migratórios, num contexto em que também enfrentamos deslocações internas causadas por factores, como o terrorismo, as alterações climáticas e a integração regional”, afirmou.

Na sua intervenção, Daniel Chapo reiterou o compromisso do País em continuar a dar o seu contributo no combate ao terrorismo e a outros desafios globais, sublinhando que a parceria entre África e Europa deve fortalecer-se perante fenómenos como o extremismo violento, a crise climática, a pressão da dívida externa e o aumento do custo de capital nos mercados internacionais.

“Esta cimeira constitui uma oportunidade ímpar para aprofundarmos a nossa cooperação, num mundo marcado por novos e complexos desafios. Precisamos de uma parceria que não seja apenas reactiva, mas que promova estabilidade, investimento e oportunidades para os nossos povos”, frisou o Presidente.

O chefe do Estado aproveitou a ocasião para agradecer à União Europeia pelo apoio prestado ao País no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, sobretudo no domínio da formação e capacitação das Forças de Defesa e Segurança. Expressou igualmente reconhecimento à União Africana pela cooperação no mesmo domínio.

Ao longo da cimeira, a delegação moçambicana promoveu um conjunto de objectivos estratégicos, com destaque para a valorização de Moçambique como destino confiável para o investimento europeu, em particular nos sectores de infra-estruturas, energia, indústria transformadora e desenvolvimento humano. A delegação procurou igualmente projectar a imagem do País como um actor comprometido com a paz, a estabilidade e a integração regional.

À margem do encontro, Daniel Chapo manteve encontros bilaterais com vários líderes africanos e europeus, entre os quais António Costa, presidente do Conselho Europeu, com quem analisou o estado da cooperação Moçambique–UE, considerada uma das mais robustas do continente. O Presidente reuniu-se ainda com o Presidente do Quénia, William Ruto, o vice-presidente do Parlamento Europeu, Younous Omarjee, o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, e o vice-primeiro-ministro da Bélgica, Maxime Prévot.

Durante esses encontros, foram reafirmadas intenções de reforço das parcerias existentes, com destaque para a promoção do investimento directo, a capacitação institucional e o apoio contínuo às acções de estabilização e reconstrução nas zonas afectadas pelo terrorismo.

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