A brasileira Embraer anunciou nesta segunda-feira, 24 de Novembro, que tenciona expandir os seus negócios para o continente africano, sobretudo Moçambique, e, para o efeito, está a investir na produção de aviões com capacidade para transportar 146 pessoas.

“Os nossos aviões têm uma capacidade de 146 lugares. Somos líderes mundiais na produção de aeronaves dessa categoria, permitindo ligar directamente aeroportos e cidades para as quais antigamente não existia ligação aérea”, afirmou o vice-presidente da Embraer, João Taborda, durante o Fórum Empresarial Brasil-Moçambique, que aconteceu no âmbito da visita do Presidente Lula da Silva ao País.

A Embraer é a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo e líder de mercado no segmento de aviões de até 150 assentos. A empresa brasileira, fundada em 1969, é conhecida pelo seu papel no desenvolvimento da aviação regional e pela produção de aeronaves comerciais, executivas e de defesa.

Desde Fevereiro deste ano que a transportadora estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) procura por aviões nos mercados, com o objectivo de repor a sua frota e tornar a sua actividade sustentável. Neste sentido, João Taborda aconselhou que a aposta em aparelhos pequenos ajuda a melhorar a eficácia das companhias aéreas.

“Muitas vezes, vemos aeronaves grandes que viajam com muitos lugares vazios, o que é muito ineficiente e oneroso para as companhias aéreas. No caso concreto, do mercado africano, 85% das rotas implicam o transporte de menos de 200 pessoas por dia. Logo, é muito eficaz que as transportadoras voem com o mínimo de cadeiras vazias”, elucidou.

Há vários anos que a LAM enfrenta problemas operacionais relacionados com uma frota reduzida e falta de investimentos, com registo de alguns incidentes, não fatais, associados por especialistas à deficiente manutenção das aeronaves.

Em Fevereiro, o Executivo anunciou a alienação de 91% das acções do Estado na companhia aérea através de negociação particular. O valor estimado a ser arrecadado com esta venda, cerca de 130 milhões de dólares (8,3 mil milhões de meticais), deverá destinar-se à aquisição de oito novas aeronaves e à reestruturação da empresa.

Por sua vez, o Instituto de Gestão das Participações do Estado, reunido em assembleia-geral extraordinária da LAM, decidiu pela cessação de funções do presidente do conselho de administração (PCA) Marcelino Gildo Alberto e dos administradores dos pelouros das Finanças, Recursos Humanos e Serviços Corporativos, Altino Xavier Mavile, e do Técnico e Operacional, Bruno Miranda.

No mesmo encontro, houve a aprovação da nomeação de um conselho de administração não executivo, composto por representantes das empresas estatais que, este ano, passaram a ser accionistas da companhia aérea, nomeadamente a Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a Empresa Moçambicana de Seguros (Emose).

Foi ainda aprovada a nomeação de uma “comissão de gestão, subordinada ao conselho de administração não executivo, com funções executivas, encarregada de conduzir a gestão da empresa e garantir a continuidade das operações.”

Em Maio, o Governo contratou a Knighthood Global para liderar a nova fase da reestruturação financeira e operacional da LAM. À empresa, liderada por James Hogan, antigo presidente da Etihad Airways, foi dado um prazo de três meses para estabilizar e reposicionar a transportadora aérea moçambicana.

“O foco nos primeiros três meses será estabilizar e reposicionar a LAM”, referia a nota da consultora, sublinhando que trabalharia em articulação com os novos accionistas, com mandato para adquirir novas aeronaves e reconstituir a frota.

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