advertisemen tO secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou, nesta segunda-feira (25), que Angola enfrenta “um peso excessivo da dívida”, situação que, segundo o responsável, aumenta a vulnerabilidade do país a choques externos. De acordo com a Lusa, Guterres falava em conferência de imprensa após intervir na Assembleia Nacional. Na ocasião, disse ter discutido a situação económica com o Presidente angolano, João Lourenço, com quem se encontrou na manhã de segunda-feira. “Conheço muitos países africanos e, tal como em muitos deles, Angola suporta um fardo excessivo da dívida e continua demasiadamente exposta a choques externos”, afirmou, lembrando que transmitiu a mesma mensagem recentemente na Cimeira do Grupo dos 20 (G20). Guterres apelou a “uma reforma profunda da arquitectura financeira mundial que reflicta o mundo de hoje, que ofereça financiamento acessível e previsível, em vez de penalizar as vítimas de crises que não causaram.” O responsável defendeu igualmente que os países africanos devem ter “o lugar que lhes cabe” em todas as organizações internacionais, incluindo as instituições financeiras multilaterais e o Conselho de Segurança das Nações Unidas. “É um escândalo que ainda não haja membros permanentes do continente africano” na ONU, afirmou, sublinhando que “a situação actual é insustentável” e que, sem reformas, “gerações inteiras serão condenadas a pagar o preço de decisões tomadas noutros lugares.” O líder da ONU destacou que a visita ocorre num momento especial em que Angola celebra o cinquentenário da independência, assinalando ter uma “dimensão profundamente pessoal.” “Nunca esquecerei que a luta de libertação nacional contribuiu para abrir caminho à democracia no meu próprio país”, afirmou, acrescentando que regressar a Angola é “voltar a um lugar que marcou profundamente” o seu percurso e a sua consciência. Guterres elogiou ainda o papel de Angola na mediação de conflitos na região dos Grandes Lagos, qualificando o país como “um pilar da União Africana” e “um parceiro importante das Nações Unidas.” Angola, prosseguiu, é uma voz que fala em favor da “reconciliação e de soluções africanas para crises africanas. Este país sabe quanto custa a guerra e quanto vale a paz”, sublinhou. Por outro lado, abordou também as questões climáticas, destacando que o país enfrenta secas severas, com impactos dramáticos para as comunidades rurais. “A justiça climática exige um apoio massivo e imediato a países como Angola, para sistemas de alerta precoce, agricultura resiliente, gestão de terras e florestas e uma transição energética justa”, anuiu. O dirigente lembrou que falar de graus de aquecimento global “é falar de vidas humanas, em Angola e em todo o mundo.”

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