O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou, nesta segunda-feira, 24 de Novembro, em Maputo, a abertura, pelo seu país, de 480 vagas de formação agrícola para moçambicanos. Oitenta são para a formação de formadores em ciências agrícolas e 400 são para cursos técnicos, com início em 2026.

Segundo o governante, que falava durante o Fórum Empresarial Moçambique-Brasil, as oportunidades serão oferecidas pelo Ministério da Educação do Brasil e pela Agência Brasileira de Cooperação, e representam a medida mais concreta apresentada pelo chefe de Estado durante a sua passagem por Maputo.

Lula afirmou que a capacitação agrícola pode ajudar Moçambique a acelerar a modernização do sector, destacando o potencial do País para desenvolver produção em larga escala, com base em tecnologia e transferência de conhecimento.

Ao mesmo tempo, o Presidente brasileiro defendeu a necessidade de retomar e reforçar a presença do Brasil em Moçambique, garantindo que “a parceria entre os dois países nunca deveria ter parado.”

Durante o fórum, o governante lamentou que, nos últimos anos, o seu país tenha reduzido a actuação no continente africano, levando ao recuo de empresas e projectos que antes eram estratégicos.

Segundo afirmou, o Brasil “adormeceu” nas relações com África, mas está agora a recuperar capacidade de investimento, incluindo o regresso do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil, e o interesse renovado de empresas brasileiras.

Lula sublinhou que vê espaço para retomar projectos no sector energético, afirmando que a petrolífera estatal Petrobras pode voltar a dialogar com parceiros moçambicanos em iniciativas relacionadas com o gás e o petróleo. O Presidente também destacou a intenção de reforçar a cooperação nas áreas da saúde e educação, combinando apoio público com possíveis investimentos privados.

Ao recordar a relação histórica entre os dois países, Lula referiu que Brasil e Moçambique passaram de uma fase de proximidade para um período de “sono profundo”, que agora precisa de ser superado. Os Governos dos dois países assinaram nove instrumentos jurídicos para relançar a cooperação bilateral, abrangendo áreas como ciência, energia, agricultura e políticas sociais.

O governante pediu ainda que empresários moçambicanos e brasileiros mantenham contacto directo para aproveitar o “novo momento político” e reconstruir oportunidades em comércio e investimento.

A visita do Presidente brasileiro a Maputo – a quarta em três mandatos – termina com a entrega do título de doutor honoris causa pela Universidade Pedagógica de Maputo, num dia que marcou a tentativa de reaproximação entre ambas as nações.

Texto: Germano Ndlovoa d v e r t i s e m e n t

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