a d v e r t i s e m e n tO Governo do Zimbabué inaugurou em Harare uma fábrica de processamento de tabaco avaliada em 100 milhões de dólares, um investimento que marca mais do que um avanço sectorial. A iniciativa representa um movimento estratégico para capturar mais valor dentro das fronteiras nacionais e reposicionar o país no contexto económico da África Austral.

Durante décadas, o sector do tabaco foi central para o desempenho das exportações, mas permaneceu dependente da venda de folhas em bruto, deixando por explorar significativas oportunidades de receita. Com a nova capacidade de processamento, o país procura reverter esta tendência e reter uma parcela maior da cadeia de valor.

Ao produzir localmente produtos acabados e semiacabados, o Zimbabué posiciona-se para alcançar margens mais elevadas, estabilizar fluxos de divisas e fortalecer ligações com áreas como logística, embalagem e agro-indústria. Trata-se de um passo relevante para uma economia onde a agricultura continua a ser motor de emprego e exportação.

Paralelamente, o Governo demonstra um compromisso renovado em melhorar a conectividade comercial em torno das Cataratas Vitória, reforçando o valor estratégico daquela região. Os planos de modernizar o eixo turismo-comércio e operar o posto fronteiriço 24 horas por dia evidenciam uma visão pragmática da geografia económica.

O corredor das Cataratas Vitória é uma das principais portas de entrada da África Austral, ligando o Zimbabué à Zâmbia, ao Botsuana e a outros mercados. Fortalecer a capacidade operacional na zona poderá expandir o comércio transfronteiriço, impulsionar o turismo e integrar o país de forma mais sólida nas cadeias de valor regionais.

Estas iniciativas surgem num contexto de volatilidade macroeconómica, restrições institucionais e preocupações dos investidores com a consistência das políticas. A gestão da inflação, a reforma monetária e melhorias na governação mantêm-se essenciais para garantir um progresso sustentável.

A passagem das exportações de produtos brutos para o processamento, e de mercados isolados para maior conectividade regional, revela uma transformação económica significativa. Se sustentados por estabilidade política, previsibilidade regulatória e investimento contínuo, estes desenvolvimentos poderão consolidar as bases da competitividade a longo prazo no agro-negócio, turismo e na indústria.

Fonte: Further Africa

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