A coligação Kick Big Polluters Out (KBPO, sigla em inglês que significa “Expulsem os Grandes Poluidores”), que reúne organizações e activistas empenhados em limitar a influência da indústria dos combustíveis fósseis nas negociações climáticas, revelou que um em cada 25 participantes na 30.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), em Belém, Brasil, entre 14 e 28 de Novembro, pertence a este sector.

Segundo a KBPO, mais de 1600 lobistas da indústria estão presentes nas negociações, superando quase todas as delegações nacionais, excepto a do Brasil, país anfitrião, que conta com 3805 representantes. A organização define como “lobista das energias fósseis” qualquer delegado que represente ou faça parte de uma entidade com interesse em influenciar a indústria de combustíveis fósseis.

Trata-se da maior concentração de grupos de pressão da indústria de combustíveis fósseis numa COP desde que a KBPO começou a monitorizar os participantes, em 2021. José Luis García Ortega, responsável pela área de Clima, Energia e Mobilidade do Greenpeace, comparou a situação à presença da indústria do tabaco numa conferência sobre o cancro.

A KBPO detalhou ainda que países como França, Japão e Noruega incluíram representantes da indústria nas suas delegações oficiais. França conta com 22 lobistas, cinco da TotalEnergies; o Japão com 33, incluindo Mitsubishi Heavy Industries e Osaka Gás; e a Noruega com 17, seis da estatal Equinor.

A organização ambientalista alertou que os grupos de pressão dos combustíveis fósseis receberam mais dois terços de passes do que todos os delegados das dez nações mais vulneráveis às alterações climáticas, totalizando 599 lobistas com acesso às negociações internas, segundo a agência Europa Press.

Ivonne Yáñez, activista da KBPO e da organização equatoriana Acción Ecológica, criticou as empresas por “continuarem a conduzir o mundo para o abismo climático”, e acusou os Governos de serem cúmplices nesta situação.

“Durante 30 anos, as cimeiras sobre alterações climáticas foram o palco para que as petrolíferas limpassem a sua imagem e fizessem negócios. Hoje querem extrair até à última gota de combustíveis fósseis para manter o sistema capitalista e guerras genocidas”, alertou Ivonne Yáñez.

José Luis García Ortega concluiu: “Precisamos de fechar as portas a estas indústrias de combustíveis fósseis, e não podemos permitir que continuem a influenciar as negociações”, reforçando a necessidade urgente de proteger as cimeiras climáticas da influência da indústria de combustíveis fósseis.

Fonte: Lusa

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