A necessidade de formalizar os negócios e fortalecer o cooperativismo dominou os debates do painel “MPME como pilar do crescimento: reformar para desbloquear o potencial produtivo e impulsionar o cooperativismo”, realizado na 20.ª edição da Conferência Anual do Sector Privado (CASP), que decorre em Maputo de 12 a 14 de Novembro.

Durante o segundo dia do evento, Joaquina Gumeta, do Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME), afirmou que a formalização é essencial para a competitividade. Segundo a responsável, sem o registo formal das empresas “há dificuldade de participação no mercado”, acrescentando que o IPEME tem trabalhado para apoiar empreendedores e promover o cooperativismo como modelo de organização.

Por sua vez, Bruno Comini, do projecto Kuvunga da Cooperação Italiana, reconheceu os esforços do Governo no financiamento de pequenas empresas, mas alertou para os “limites dos recursos disponíveis”, explicando que, em alguns casos, há milhares de projectos submetidos, mas poucos são financiados. 

“É preciso criar mecanismos a nível distrital e provincial para envolver mais parceiros”, frisou.

Já Lourenço Moio, da Associação Moçambicana para a Promoção das Cooperativas e Mutualidades (AMPCM), destacou que o cooperativismo pode ser um modelo de desenvolvimento inclusivo, promovendo a formalização, a participação de mulheres e jovens e o acesso à tecnologia. Segundo afirmou, este modelo já faz parte da Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-44.

Por outro lado, o representante da SOCODEVI chamou a atenção para o número crescente de grupos informais que actuam como cooperativas sem cumprir os requisitos legais, defendendo uma maior supervisão do Estado e apoio técnico na contabilidade e gestão financeira dessas organizações, com o objectivo de torná-las mais sustentáveis.

A presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), Mara Cancune, sugeriu a criação de um banco especializado no financiamento das micro e pequenas empresas, afirmando que a banca comercial não tem esse foco. Para ela, o novo banco deveria promover o acesso ao crédito e à educação financeira.

Os intervenientes concordaram que o cooperativismo e a formalização são fundamentais para o crescimento económico sustentável, e pediram maior coordenação entre o Governo, o sector privado e as associações empresariais.

A 20.ª edição da CASP visa fortalecer os compromissos entre o Estado e o sector privado para relançar a economia nacional através de reformas que aumentem a competitividade, promovam o investimento e garantam um crescimento sustentável, inclusivo e resiliente.

Texto: Germano Ndlovoa d v e r t i s e m e n t

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