O Presidente da República, Daniel Chapo, declarou esta quarta-feira (12) que a retoma do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, está a criar o ambiente propício para que a ExxonMobil avance com a sua Decisão Final de Investimento (FID, na sigla inglesa) até Julho do próximo ano. A afirmação foi feita na cerimónia de abertura da 20.ª Conferência Anual do Sector Privado (CASP), a decorrer em Maputo, onde o chefe do Estado reiterou a importância da cooperação entre os dois consórcios internacionais envolvidos na exploração de gás natural na bacia do Rovuma, no norte de Moçambique. “Nas nossas conversações com a ExxonMobil, em Houston, ficou claro que, com a retoma do projecto da TotalEnergies, que prevê partilha de infra-estruturas, a ExxonMobil está igualmente pronta a avançar. Esperamos, por isso, que até meados do próximo ano, mais tardar Julho, possa haver a decisão de investimento”, declarou Daniel Chapo. A eventual luz verde ao projecto da ExxonMobil corresponde a um investimento estimado em cerca de 1,9 bilião de meticais (30 mil milhões de dólares), que visa a exploração e exportação de Gás Natural Liquefeito (GNL) a partir da Área 4 da bacia do Rovuma, com uma capacidade projectada de 18 milhões de toneladas por ano (mtpa), a maior planeada em África. O anúncio da retoma do projecto da TotalEnergies, suspenso desde 2021 devido à violência armada em Cabo Delgado, foi formalizado em Outubro, após o levantamento da cláusula de “força maior”. Segundo o Presidente da República, essa decisão está a restabelecer a confiança dos investidores e poderá desbloquear novas decisões estratégicas no sector. “A segurança melhorou consideravelmente e o Governo trabalha intensamente para garantir estabilidade e criar condições para que os grandes investimentos avancem. O nosso compromisso com os parceiros é total”, garantiu Daniel Chapo. Também em Outubro, Darren Woods, director-executivo da ExxonMobil, confirmara que a empresa estava a reavaliar positivamente o contexto moçambicano, tendo admitido, numa conferência com investidores, que “a situação do projecto é neste momento muito boa” e que “as relações com o Governo de Moçambique são muito fortes,” O consórcio liderado pela ExxonMobil integra ainda a italiana Eni e a chinesa CNPC, detendo em conjunto 70% do Contrato de Concessão da Área 4. A retoma do projecto implica partilha de infra-estruturas com o complexo da TotalEnergies, ambos localizados em terra, na península de Afungi. Actualmente, a única operação em curso na bacia do Rovuma é conduzida pela Eni, através da plataforma flutuante Coral Sul, que entrou em funcionamento em 2022, com uma produção anual de sete mtpa. A empresa italiana aprovou recentemente a instalação da segunda plataforma, Coral Norte, que deverá duplicar a capacidade a partir de 2028, num investimento estimado em 455 mil milhões de meticais (7,2 mil milhões de dólares). Moçambique conta actualmente com três megaprojectos aprovados para a exploração de gás natural, cujas reservas são tidas entre as maiores do mundo. A consultora Deloitte estima que o País poderá arrecadar receitas superiores a 6,3 biliões de meticais (100 mil milhões de dólares) ao longo do ciclo de produção total. Durante os três dias da conferência, estão agendadas sessões bilaterais com representantes da União Europeia, Emirados Árabes Unidos, Zona de Comércio Livre Continental Africana e Brasil. Prevê-se ainda a realização do “Market Place”, uma plataforma de encontros para identificação de soluções e oportunidades de negócios entre intervenientes das cadeias de produção, importação, distribuição e fornecimento de matérias-primas. A 20.ª edição da CASP visa fortalecer os compromissos entre o Estado e o sector privado para relançar a economia nacional através de reformas que aumentem a competitividade, promovam o investimento e garantam um crescimento sustentável, inclusivo e resiliente. Texto: Felisberto Ruco
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