advertisemen tA dívida pública africana atinge actualmente 1,8 biliãode dólares, num contexto em que o crescimento económico do continente permanece estagnado entre 3 e 4% ao ano. A União Africana (UA) advertiu que este aumento constitui uma séria ameaça ao crescimento sustentável, ao desenvolvimento social e à estabilidade orçamental em toda a região. Durante o Diálogo de Alto Nível G20–África sobre Sustentabilidade da Dívida, Custo do Capital e Reformas de Financiamento, realizado em Adis Abeba, a UA alertou para o peso crescente das obrigações financeiras que recaem sobre os países africanos. A comissária para os Assuntos Económicos, Comércio, Turismo, Indústria e Minas da UA, Francisca Tatchouop Belobe, representou o presidente da Comissão da UA, Mahamoud Ali Youssouf, no encontro. Segundo Mahamoud Ali Youssouf, os pagamentos do serviço da dívida em África ultrapassaram os 70 mil milhões de dólares apenas em 2024, consumindo uma parte cada vez maior das receitas públicas. “Muitos Governos africanos estão a gastar mais em serviço da dívida do que em investimento no desenvolvimento humano”, lamentou o dirigente. De acordo com dados oficiais, cerca de 57% da população africana vive em países onde o serviço da dívida supera as despesas sociais. Este cenário, segundo Mahamoud Ali Youssouf, agrava a vulnerabilidade das nações e limita o espaço fiscal necessário para investir em sectores essenciais. O presidente da Comissão da UA recordou que a dívida pública do continente aumentou de 120 mil milhões de dólares em 1990 para 1,8 bilião actualmente. Apesar deste aumento exponencial, o crescimento económico tem permanecido praticamente inalterado, oscilando apenas entre 3 e 4% anuais. Os custos crescentes do serviço da dívida, advertiu Mahamoud Ali Youssouf, estão “a desviar recursos escassos de sectores essenciais como a educação, a saúde e as infra-estruturas”. A situação, acrescentou, impede os países africanos de avançarem de forma sustentável e de garantirem melhores condições de vida às suas populações. “Muitos Governos africanos estão a gastar mais em serviço da dívida do que em investimento no desenvolvimento humano”Mahamoud Ali Youssouf Face a este panorama, o responsável da UA instou o G20 e os credores internacionais a enfrentarem o que considerou ser “uma falha sistémica na arquitectura financeira global”. Para o dirigente, “é um sistema construído para um mundo que já não deveria existir, um sistema que mede a solvabilidade através de métricas enviesadas e perpetua a desigualdade estrutural”. O presidente da comissão apelou ainda à criação de um “novo pacto financeiro” que reconheça a responsabilidade partilhada de África no crescimento económico mundial e que permita um acesso mais justo ao capital. “O desafio não é apenas gerir a dívida, mas reinventar o sistema financeiro que sustenta este desequilíbrio”, sublinhou Mahamoud Ali Youssouf. Sob a presidência da África do Sul, o G20 tem dado sinais de abertura para fortalecer a voz do continente africano na formulação de políticas económicas globais. Mahamoud Ali Youssouf destacou que a criação do painel de peritos de África “sinaliza uma mudança da consulta para a co-criação, da inclusão para uma influência real”. Para a UA, este diálogo representa uma oportunidade decisiva para “questionar suposições antigas” e construir um sistema financeiro global mais justo, onde África deixe de ser “um devedor preso a regras ultrapassadas” e se torne “um verdadeiro parceiro na construção de uma nova ordem económica”. Fonte: Bussiness Insider Africa

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