A empresa de fundição de alumínio Mozal anunciou que investiu 71,6 milhões de meticais (1,1 milhão de dólares) na construção de duas pontes ao longo da Estrada do Quilómetro 16, via localizada no município da Matola-Rio, província de Maputo, região sul de Moçambique. As infra-estruturas foram erguidas com o objectivo de mitigar inundações previstas para a época chuvosa 2025-26. De acordo com uma publicação do jornal O País, as pontes vão beneficiar os residentes dos bairros de Jonasse, Juba e Beluluane, salientando que as obras foram executadas em seis meses, no âmbito da política de responsabilidade social da Mozal. “Com o sentimento de missão cumprida, a Mozal fez a entrega oficial das duas pontes, construídas em parceria com o Governo e com a comunidade, que autorizou a realização das obras. Os trabalhos estiveram sob a alçada da construtora Mota Engil, à qual deixamos o nosso reconhecimento e apreço”, descreveu Samuel Samo Gudo, PCA da Mozal. Segundo o responsável, durante a construção, foram criados mais de 80 empregos temporários, para os jovens das comunidades locais, contribuindo assim para a geração de rendimento e capacitação técnica. “Somos um parceiro estratégico do Executivo da província de Maputo na materialização de projectos de desenvolvimento local”, destacou. Recentemente, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais (217,1 milhões de dólares). No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais (93 milhões de dólares) da verba necessária. Em Setembro, as autoridades alertaram para cheias de “grande magnitude” no País e inundações em, pelo menos, quatro milhões de hectares agrícolas durante a época chuvosa 2025-26. “Entre Janeiro, Fevereiro e Março, achamos que vamos ter chuvas e cheias de grande magnitude, aquilo que classificamos como um regime alto, sobretudo nas bacias de Incomáti, Maputo e Limpopo”, afirmou Agostinho Vilanculos, director nacional de Gestão de Recursos Hídricos. Vilanculos avançou que as barragens de países vizinhos de Moçambique, entre os quais África do Sul e Essuatíni, estão a 99% do nível de armazenamento e, por isso, com pouca capacidade de encaixe, situação que obrigará ao escoamento e consequentes inundações no País. Já o Banco de Moçambique (BdM) apontou que as cheias previstas para o primeiro trimestre de 2026 vão causar impactos negativos na economia, nomeadamente no fornecimento de alimentos, um dos factores que poderão condicionar as perspectivas de crescimento. Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre Outubro e Abril. Só entre Dezembro e Março últimos, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024. O número de ciclones que atingem o País “tem vindo a aumentar na última década”, bem como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em Março. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement
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