O parlamento israelita aprovou, esta segunda-feira à noite, em primeira leitura, a proposta de lei sobre a instauração “da pena de morte para os terroristas”, texto à medida para aplicar aos palestinianos reconhecidos culpados dos ataques mortíferos contra Israel.O texto foi aprovado por uma maioria de 39 votos contra 16.

O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, figura da extrema-direita israelita, ameaçou deixar de votar com a maioria que apoia o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu (direita) se esta proposta, apresentada por uma deputada do seu partido, não fosse sujeita a votação na Knesset.

Agora, o projecto de lei ainda precisa dos votos em segunda e terceira leituras para que possa tornar-se lei.

O projecto propõe que “qualquer pessoa que cause intencionalmente ou por indiferença a morte de um cidadão israelita por motivos de racismo ou hostilidade contra uma comunidade, com o objectivo de prejudicar o Estado de Israel e o renascimento do povo judeu no seu país, será sujeita à pena de morte”.Com tal formulação, a pena de morte poderia aplicar-se a um palestiniano que matasse um israelita, mas de forma alguma a um israelita que matasse um palestiniano.

Ao julgar admissível esta proposta de lei, a Comissão de Segurança Nacional da Knesset indicou, a 03 de Novembro, que o objectivo do texto era “cortar o terrorismo pela raiz e criar uma forte dissuasão”.

“Qualquer terrorista que se prepare para cometer um assassinato deve saber que só há uma punição: a pena de morte”, declarou o ministro Ben Gvir no mesmo dia.

A votação da Knesset ocorre enquanto um cessar-fogo frágil entre Israel e o Hamas entrou em vigor a 10 de Outubro, sob a pressão dos Estados Unidos, mais de dois anos após o início da guerra, desencadeada pelo ataque sem precedentes ao movimento islâmico palestiniano Hamas em 7 de Outubro de 2023.

A 03 de Novembro, o Hamas classificou o projecto de lei como uma “flagrante violação do direito internacional”, pedindo “às Nações Unidas, à comunidade internacional e às organizações humanitárias e de direitos humanos relevantes que tomem medidas imediatas para parar este crime brutal”.

A Autoridade Palestiniana denunciou “um passo perigoso destinado a continuar o genocídio e a limpeza étnica sob o pretexto de legitimidade”. (RM /NMinuto)

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