O representante residente do Banco Mundial em Angola, Juan Carlos Alvarez, revelou que a instituição tem 17 projectos em implementação em vários sectores no país, avaliados em mais de 4,3 mil milhões de dólares. De acordo com o responsável, trata-se de áreas vitais para o desenvolvimento, nomeadamente, água, energia, agricultura, educação, saúde, desenvolvimento digital e protecção social. “Dispomos de duas janelas de financiamento, em que uma está virada para os projectos de investimento público (investment project finance, ou IPF, em inglês) e outra para o apoio orçamental.” “Os 17 projectos em execução são de IPF e que dão oportunidade para manter um diálogo com o Governo e apoiar reformas estruturais. O apoio orçamental é de desembolso único, é a janela que permite ao Banco Mundial manter um diálogo de políticas para criar um ambiente propício para os negócios”, descreveu. Segundo Alvarez, o envolvimento da instituição financeira em Angola “está a mudar o desenvolvimento dos sectores. Queremos que a educação trabalhe próximo com a saúde e o objectivo é implementar um apoio integral, coordenando com outros parceiros para evitar duplicidade e favorecer a complementaridade.” O representante defendeu que o país deve apostar no financiamento privado do agro-negócio para acelerar a diversificação económica, essencial para garantir o crescimento e o desenvolvimento. “A agricultura é um dos motores para apoiar a diversificação, mas não a agricultura familiar; temos de mudar para a componente comercial.” “Precisamos de apoiar o Governo para criar o ambiente propício para atrair investimento privado no agron-egócio, porque é nessa área que já há 40 anos Angola estava posicionada; tem muito potencial de produção agrícola, diversidade geográfica, água, bons solos, por isso, o país podia alavancar todas as oportunidades que o sector agrícola tem para oferecer”, explicou. Recentemente, o Banco Mundial reviu em baixa a previsão de crescimento de Angola de 2,7% para 2,3% este ano e estima expansões abaixo de 3% até, pelo menos, 2028, devido à evolução do sector petrolífero. Depois de um forte crescimento em 2024 (de 4,4%), a economia de Angola abrandou no primeiro semestre de 2025, com o Produto Interno Bruto a crescer apenas 2,3%, devido à contínua contracção do sector petrolífero”, lê-se no relatório Africa Pulse do Banco Mundial, divulgado nesta terça-feira (7) em Washington, nas vésperas dos Encontros Anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que decorrem nesta semana. No documento, que revê em baixa a previsão de crescimento de 2,7% feita em Abril, para 2,3% este ano, os economistas do banco estimam que Angola cresça 2,6% em 2026 e 2,8% em 2027, com a inflação a ficar acima de 20% este ano, descendo depois para 14,7% e 12,6% nos dois anos seguintes. De acordo com o documento, a recuperação da actividade económica foi impulsionada principalmente pelas actividades não petrolíferas, particularmente nos sectores da informação e comunicação, alojamento e serviços de restauração, extracção de diamantes e minerais metálicos e indústria transformadora, que alerta, ainda assim, que a produção de petróleo diminuiu devido ao esgotamento dos campos petrolíferos após anos de desinvestimento.

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