Moçambique precisa de 710 milhões de dólares (44,8 mil milhões de meticais) para concretizar a nova estratégia da aviação civil, que prevê modernizar os principais aeroportos nacionais ao longo dos próximos 20 anos.

Citado pela Lusa, Artur Soares, gestor de uma das empresas contratadas pelo Governo para assessorar o desenvolvimento do Plano Director de Aviação Civil (2026-45), explicou que está previsto o desenvolvimento de 179 acções a curto prazo, 34 a médio e longo prazo, seguindo nove eixos estratégicos.

“Os nove eixos abrangem todas as áreas principais e as referentes à aviação civil. O primeiro eixo concentra-se no reforço do quadro legislativo e institucional com o objectivo de melhorar a coordenação entre as partes interessadas no sector civil”, detalhou.

Artur Soares assinalou que os outros eixos prevêem a melhoria na conectividade aérea e promoção da integração regional, melhoria da segurança aeroportuária, modernização das infra-estruturas aeroportuárias, reforço das operadoras aéreas moçambicanas, optimização dos custos e eficiência operacional, além do desenvolvimento e reforço dos recursos humanos.

O responsável avançou que no plano apresentado prevê-se também a modernização a curto prazo dos aeroportos internacionais da Maputo, Beira e Nacala, num investimento estimado em cerca de 440 milhões de dólares. “O financiamento combinará recursos nacionais e apoios de parceiros de desenvolvimento e parcerias público-privadas. Portanto, a modernização dos aeroportos vai consumir quase 90% do nosso investimento”.

Soares disse que o documento adoptará uma nova política nacional de aviação civil para os próximos 20 anos, para substituir a política de 2002, apostando num quadro estratégico institucional actualizado alinhado com as normas internacionais.

O transporte aéreo no País registou um recorde histórico de 2,4 milhões de passageiros em 2024, o que representa um crescimento de quase 25% face ao ano anterior. Os dados foram divulgados pela Autoridade de Aviação Civil de Moçambique (IACM).

Segundo os números oficiais, transitaram pelos aeroportos nacionais 2,4 milhões passageiros no ano passado, em 81 mil movimentos de aeronaves, um salto significativo face aos 1,9 milhão de passageiros em 2023. A tendência de crescimento deverá manter-se em 2025, com a previsão de ultrapassar os 2,7 milhões de passageiros, ou seja, mais 11%.

O regulador do sector prevê que, em 2027, o número de passageiros atinja 2,9 milhões, e, em 2028, ultrapasse os 3,1 milhões. O crescimento é acompanhado por uma maior movimentação de carga, que deverá passar de 18 mil toneladas em 2024 para mais de 21 mil toneladas em 2027.

No final de 2024, Moçambique contava com 88 aeronaves registadas, operadas por 14 companhias comerciais. A rede de infra-estrutura aérea incluía 12 aeroportos, 21 aeródromos públicos e 256 aeródromos privados, um número expressivo que demonstra o dinamismo e a expansão contínua do sector.

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