O ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, admitiu nesta sexta-feira, 7 de Novembro, que 40% das rotas aéreas no País não são viáveis, reconhecendo haver uma “concorrência disfuncional” que não serve os interesses do Estado ou da sociedade. “Existe a empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), assim como a sua subsidiária Moçambique Expresso (Mex), o que representa uma concorrência disfuncional que não serve os interesses eventualmente da sociedade e também não gera resultados para o próprio Estado”, descreveu o governante, citado pela Lusa. Intervindo durante a abertura da “Auscultação do Plano Director de Aviação Civil (2026-45)”, Matlombe explicou que os voos destas companhias estatais não servem para todas as rotas, operando no mesmo horário e para destinos similares. Enquanto o País se debate com a inviabilidade de algumas rotas no transporte aéreo, o ministro avançou haver infra-estruturas aéreas ociosas, reiterando que há anos que o Aeroporto de Nacala, na província de Nampula, região norte de Moçambique, funciona praticamente como um elefante branco. “Devemos apostar em modelos de concessão rentáveis, que garantam mais investimento.” João Matlombe reconheceu ainda o papel do Estado na orientação destas operações, pelo facto de estas infra-estruturas serem estatais. “Ninguém vai investir num aeroporto que não tenha basicamente nenhum volume de tráfego, sem ter um mecanismo de compensação. É preciso encontrar-se um mecanismo de subsídio cruzado para rentabilizar e, talvez, atrair investimento.” No evento, o ministro assumiu o propósito de mudar o sector, para que os passageiros não sintam a viagem “como se fosse um pesadelo”, nem olhem as infra-estruturas e os serviços de suporte de todo o sistema, quer das companhias aéreas, quer dos aeroportos, como um incómodo. Sobre a reestruturação da LAM, o dirigente admitiu que o processo não é imediato, assinalando que todas as etapas devem ser humanizadas e assegurando que as medidas tomadas estejam conscientes. Há vários anos que a LAM enfrenta problemas operacionais relacionados com uma frota reduzida e falta de investimentos, com registo de alguns incidentes, não fatais, associados por especialistas à deficiente manutenção das aeronaves. Em Fevereiro, o Executivo anunciou a alienação de 91% das acções do Estado na companhia aérea através de negociação particular. O valor estimado a ser arrecadado com esta venda, cerca de 130 milhões de dólares (8,3 mil milhões de meticais), deverá destinar-se à aquisição de oito novas aeronaves e à reestruturação da empresa. Em Maio, o Governo contratou a Knighthood Global para liderar a nova fase da reestruturação financeira e operacional da LAM. À empresa, liderada por James Hogan, antigo presidente da Etihad Airways, foi dado um prazo de três meses para estabilizar e reposicionar a transportadora aérea moçambicana. “O foco nos primeiros três meses será estabilizar e reposicionar a LAM”, referia a nota da consultora, sublinhando que trabalharia em articulação com os novos accionistas, com mandato para adquirir novas aeronaves e reconstituir a frota.
Painel