Há dias, ao entrar num restaurante onde costumo almoçar, encontrei o gerente — uma figura familiar, sempre simpática, com quem troco apenas cumprimentos ocasionais. Não sei o nome dele e nem sei sequer se me reconhece. Naquele dia, sorri e, enquanto me dirigia para a mesa, disse por mera cortesia: “Olá, como está? Já não o via por aqui há algum tempo.” A conversa podia ter ficado por aí, mas ele parou. E eu parei também. Aquele breve olhar e saudação bastaram para abrir espaço para partilhar comigo que tinha estado doente, em tratamento oncológico, e que atravessava uma fase difícil. Durante alguns minutos, fiquei simplesmente a ouvi-lo. E percebi, naquele instante, o quanto alguém pode precisar apenas de ser visto. Ser ouvido.

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