O novo embaixador de Israel em Angola, Leo Vinovezky, defendeu nesta terça-feira (4) mais parcerias e o reforço das trocas comerciais entre ambos os países, considerando que o potencial para o comércio é superior aos 80 a 90 milhões de dólares registados em 2024, reportou a Lusa. De acordo com a publicação, a posição foi defendida durante uma conferência de imprensa em Luanda, na qual Vinovezky destacou que “Angola e Israel têm muito para fazer juntos. O futuro é próspero e estou aqui para isso”, sublinhando que a prioridade será trabalhar em várias áreas e em todas as províncias angolanas. O embaixador salientou a importância da “economia diplomática” e afirmou querer “trazer ao país pessoas que já conhecem África, mas não conhecem Angola”, promovendo uma abordagem centrada em parcerias e resultados. “Estamos juntos e isso vai ser traduzido em actos”, frisou, referindo que Israel conta actualmente com cerca de dez empresas em Angola, em sectores como a construção, agricultura, água, ambiente e pequenas startups tecnológicas.advertisement Leo Vinovezky admitiu também que Israel e Angola estudam a possibilidade de uma parceria aérea. “Já foi falado informalmente. O sonho de muitos de nós é ter um voo directo. É um símbolo muito forte, significa um avanço nas relações não apenas a nível de passageiros, mas também de comércio e cultura”, acrescentou. O responsável referiu ainda que o diálogo político e diplomático entre os dois países deve crescer e revelou ter renovado o convite ao ministro das Relações Exteriores angolano, Téte António, para visitar Israel. O embaixador anunciou também a realização, a 30 de Novembro, de uma conferência com a Agência Espacial Israelita para incorporar alunas do ensino secundário angolano no programa Xspace, que dá a jovens africanas a oportunidade de estudar matemática e engenharia. “Abre um panorama totalmente diferente”, afirmou, recordando que cerca de 25 a 30 jovens africanas participam já neste programa, que promove a integração com israelitas. Vinovezky lembrou que Angola dispõe de um satélite e tem potencial para parcerias no domínio espacial, referindo que já houve também contactos com o Centro de Ciência de Luanda. Responsável também pelas relações de Israel com Moçambique, São Tomé e Príncipe e República Democrática do Congo, o diplomata destacou que “em África há muito talento” e oportunidades. Entre as áreas de cooperação que podem ser alargadas, Vinovezky mencionou o desporto, a música, a arquitectura e o cinema, bem como o estímulo ao turismo e as peregrinações à Terra Santa, que “representam também uma oportunidade de negócios.” Conflito israelense-palestino O diplomata considerou que as relações bilaterais celebram um marco especial, ao assinalarem 30 anos desde a abertura da embaixada israelita em Luanda, e abordou também o conflito na faixa de Gaza, afirmando que Israel “está a tentar finalizar uma guerra que não queria e não planeou.” “Fomos tomados de surpresa. Tenho amigos que foram massacrados, assassinados, estuprados. O que aconteceu no dia 7 de Outubro foi um ataque de magnitude monstruosa”, afirmou, acrescentando que “Israel vai defender-se, mesmo que não seja simpático, mesmo que às vezes cometa erros involuntários. O país tem o direito de se defender”. O responsável insistiu que “não se pode aceitar nem dar luz verde para crimes de lesa-humanidade contra Israel.” “É muito fácil criticar Israel. Mas hoje não é suficiente condenar e denunciar o terrorismo, é necessário punir”, afirmou, defendendo que “a mensagem tem de ser muito clara, aqui ou nas Nações Unidas”, que criticou por aprovar 80 resoluções contra Israel, ignorando violações dos direitos humanos noutros países. Leo Vinovezky sublinhou ainda que Israel pretende continuar a explicar o que aconteceu no 7 de Outubro e depois, sendo essa “também uma parte do trabalho diplomático.”

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts