a d v e r t i s e m e n tA Presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, começa nesta segunda-feira (3) o seu segundo mandato sob forte segurança na capital, Dar es Salaam, onde tomou posse após uma eleição contestada e protestos que, segundo a oposição, deixaram centenas de mortos.
Segundo noticiou a Bloomberg, as forças de segurança estiveram presentes, de forma reforçada, nas ruas de Dodoma e no centro comercial do país, Dar es Salaam, onde as manifestações eclodiram a 29 de Outubro e se espalharam por todo o território devido à exclusão dos principais líderes da oposição do processo eleitoral.
As autoridades eleitorais da nação da África Oriental declararam no sábado (1) Samia Suluhu Hassan vencedora da votação de 29 de Outubro, com 97,66% dos votos.
Primeira mulher Presidente da Tanzânia, Hassan, de 65 anos, chegou ao poder após a morte do ex-Presidente John Magufuli em funções, em 2021. Depois de, inicialmente, prometer implementar reformas democráticas, os seus críticos acusam a sua administração de se tornar cada vez mais repressiva, suprimindo a oposição e restringindo a comunicação social.
Tundu Lissu, líder do principal partido da oposição, o Chadema, e principal rival de Hassan, encontra-se preso desde Abril sob acusações de traição. O partido Chadema rejeitou os resultados e prometeu continuar a sua campanha por uma reforma eleitoral.
O partido afirmou que cerca de mil pessoas foram mortas pelas forças de segurança enviadas para as ruas antes do dia das eleições. A organização de direitos humanos Amnistia Internacional afirmou na sexta-feira (31) estar a tentar verificar até cem mortes.
Os Estados Unidos da América (EUA) apelaram aos seus cidadãos a reconsiderarem viagens para a Tanzânia. A União Europeia (UE) manifestou preocupação com a violência e com o bloqueio nacional da internet, que se mantém desde o dia das eleições.
“Relatos credíveis sobre um grande número de mortes e ferimentos graves são motivo de extrema preocupação”, declarou a organização no domingo, acrescentando que “a UE apela à libertação de todos os políticos detidos, a um julgamento transparente e justo dos que foram presos com base legal sólida, e a investigações rápidas e completas sobre todos os relatos de raptos, desaparecimentos e actos de violência.”
De acordo com o partido da oposição, os protestos causaram centenas de mortos
Se se prolongar, a agitação poderá prejudicar a importante indústria do turismo na Tanzânia, que contribui com quase um quinto do produto económico do país. A violência já afectou o envio de cobre proveniente da cintura central de cobre africana com destino à China.
Depois das autoridades eleitorais anunciarem a sua vitória no sábado, Hassan declarou que o seu Governo utilizaria todos os meios ao seu dispor para reprimir quaisquer protestos.
Por lei, os resultados das eleições presidenciais na Tanzânia não podem ser contestados em tribunal.
“Não iremos contestar porque, em primeiro lugar, não considerámos que tivesse havido uma eleição”, afirmou John Kitoka, director dos Assuntos Externos do Chadema, nesta segunda-feira.
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