A Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME) revelou que mais de 300 empresas de construção civil encerraram as suas actividades na sequência dos protestos pós-eleitorais registados em diversas províncias do País, após as eleições gerais de 2024. Um ano depois, muitas dessas empresas ainda não conseguiram retomar os seus projectos ou recuperar os prejuízos acumulados, segunfo informou a Lusa.

“Temos mais de 300 empresas de construção que fecharam nesse processo das manifestações”, afirmou o presidente da FME, Bento Machaila, em declarações à imprensa à margem de uma audiência concedida pelo antigo Presidente da República, Armando Guebuza, esta semana, em Maputo.

A instabilidade resultante das manifestações, lideradas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que contestou os resultados eleitorais que deram a vitória a Daniel Chapo, teve consequências económicas profundas, sobretudo no sector da construção, onde múltiplos projectos públicos e privados foram suspensos. “Como sabe, muitos projectos tiveram ficaram paralisados durante as manifestações e naturalmente que muitas empresas ainda não conseguiram retomar”, acrescentou Machaila.

A crise laboral associada a este cenário foi igualmente denunciada pela Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS), que avançou, no passado dia 13, que mais de 12 mil trabalhadores perderam os seus postos de trabalho durante os confrontos e continuam sem indemnizações.

Segundo o secretário-geral da organização, André Mandlate, alguns trabalhadores receberam compensações consideradas “injustas”, enquanto outros ficaram totalmente desamparados devido à fuga de operadores económicos que deixaram o País.

Os protestos pós-eleitorais, considerados por diversos observadores como os mais violentos desde a introdução do multipartidarismo em 1994, resultaram, de acordo com dados da sociedade civil, em quase 400 mortes e na destruição de mais de 500 empresas e infra-estruturas públicas. A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) estima que pelo menos 121 mil pessoas tenham ficado sem emprego directo ou indirecto por efeito da crise.

Embora o ex-candidato Venâncio Mondlane e o Presidente Daniel Chapo tenham assumido publicamente, em Março deste ano, o compromisso de pôr termo à violência política, as trocas de acusações continuam a marcar o discurso público, mantendo um clima de incerteza e dificultando a plena recuperação económica em vários sectores afectados.a d v e r t i s e m e n t

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