
O Ministério do Comércio da China afirmou através de um comunicado que “a interferência inadequada do Governo holandês nos assuntos internos da empresa provocou o atual caos nas cadeias globais de produção e abastecimento” e sublinhou que a China, como “país responsável”, está a considerar medidas para garantir a estabilidade das cadeias industriais. “Convidamos as empresas que enfrentam dificuldades reais a contactar o Ministério ou as autoridades locais competentes. Consideraremos as circunstâncias e concederemos isenções de exportação às que cumprirem os requisitos”, indicou o comunicado. A declaração representa o primeiro gesto de flexibilidade de Pequim desde que, em 04 de outubro, impôs uma proibição às exportações da Nexperia para a Europa em retaliação à intervenção holandesa, uma medida que provocou escassez de componentes eletrónicos e obrigou fabricantes como a Honda a suspender a produção na fábrica mexicana de Celaya. O anúncio surge um dia depois de a vice-presidente da Comissão Europeia para a política digital, Henna Virkkunen, ter reafirmado a vontade do bloco comunitário de alcançar um “avanço diplomático” em torno da empresa, numa reunião realizada em Bruxelas com o diretor executivo da Nexperia, Stefan Tilger. Bruxelas também manteve contactos técnicos na sexta-feira com representantes do Governo chinês para tentar desbloquear o fornecimento, enquanto a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) alerta para paralisações iminentes nas linhas de montagem, se o fluxo de chips não for restabelecido em breve. O Executivo neerlandês sustenta que a decisão de intervir na empresa foi tomada por motivos de segurança nacional, face à suspeita de transferência de tecnologia para a China. Em resposta, Pequim insistiu que a medida viola as regras do comércio livre e pediu aos países europeus que “se abstenham de medidas discriminatórias” contra as suas empresas. Fundada na cidade holandesa de Nimega e adquirida pelo grupo chinês Wingtech em 2019, a Nexperia produz chips de uso comum em automóveis e aparelhos eletrónicos. A sua fábrica na China mantém operações limitadas após a proibição de exportações decretada pelas autoridades. Leia Também: Shenzhou-21 com três astronautas acopla-se à estação chinesa Tiangong
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