
O foguetão Longa Marcha-2F, que transporta astronautas chineses para a estação espacial Tiangong, descolou hoje de uma plataforma de lançamento no noroeste da China, anunciou a agência espacial do país. O aparelho, que transporta os três astronautas chineses que compõem a tripulação da missão Shenzhou-21, partiu do centro de lançamento de satélites de Jiuquan, situado numa zona desértica, às 23:44 (15:44 em Lisboa). Os três astronautas da Shenzhou-21 vão substituir a tripulação cessante da Shenzhou-20, que regressará à Terra dentro de alguns dias, indicou a agência de notícias France-Presse (AFP). A missão tem uma duração de seis meses e visa a realização de experiências científicas, de acordo com a agência espacial chinesa CMSA. Os três astronautas devem igualmente efetuar saídas para o espaço e instalar escudos antidetritos no exterior da Tiangong. A missão visa também reforçar a experiência técnica da China no projeto de enviar humanos à Lua até 2030. A equipa integra o engenheiro Wu Fei, de apenas 32 anos, que passará a ser o mais jovem astronauta chinês a participar numa missão espacial. Wu declarou na quinta-feira à imprensa sentir-se “incrivelmente sortudo” por poder participar na missão. A tripulação é chefiada pelo piloto Zhang Lu, de 48 anos, que já participou na missão Shenzhou-15. Zhang e Wu são acompanhados por Zhang Hongzhang, de 39 anos, especialista em carga útil. Quatro ratos, dois machos e duas fêmeas, fazem também parte da viagem e servirão para as primeiras experiências com roedores realizadas em órbita pela China. A nave Shenzhou-21 deverá acoplar-se à estação Tiangong entre três a quatro horas após o lançamento. Antes da partida, os astronautas, vestidos com os fatos espaciais brancos, foram saudados por colegas e familiares nas ruas do centro de lançamento. Construído em pleno deserto, o centro tem o aspeto de uma pequena cidade, com restaurantes, edifícios residenciais e escolas, de acordo com a AFP. A China desenvolveu consideravelmente os programas espaciais ao longo das últimas três décadas, investindo o equivalente a milhares de milhões de euros no setor para alcançar o nível dos Estados Unidos, da Rússia e da Europa. A estação espacial Tiangong é um dos projetos emblemáticos desse esforço. A construção da estação foi concluída em 2022, e espera-se que permaneça operacional durante pelo menos 10 anos. Tendo-se tornado uma potência espacial, a China pousou em 2019 uma sonda (a Chang’e-4) no lado oculto da Lua, uma estreia mundial, e fez aterrar em 2021 um pequeno robô em Marte. A agência espacial chinesa assegurou na quinta-feira à imprensa que “mantém firmemente” o objetivo de enviar humanos à Lua até 2030. Uma série de “testes cruciais” será realizada nesse sentido, nomeadamente sobre um módulo de alunagem e uma nave espacial tripulada, disse a CMSA. Durante a missão, os astronautas da Shenzhou-21 deverão ainda realizar atividades de divulgação científica para promover o interesse do público pela exploração espacial. A China está formalmente excluída da Estação Espacial Internacional (EEI) desde 2011, quando os Estados Unidos proibiram a NASA de colaborar com Pequim, o que levou o gigante asiático a desenvolver um projeto de estação espacial próprio. Leia Também: SpaceX pode perder contrato para levar humanos à Lua. Musk já respondeu
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