
O governador do Banco de Portugal (BdP) considerou esta sexta-feira positivo que o Banco Central Europeu (BCE) tenha mantido as taxas de juro em 2%, por permitir uma margem de reação em caso de novo choque económico. “Manter a taxa de juro neste momento é a decisão certa, porque é importante manter uma margem para prevenir eventuais choques no futuro”, disse Álvaro Santos Pereira, em Coimbra, na Escola Secundária Avelar Brotero, à entrada para uma aula sobre poupança. O antigo ministro da Economia, que assumiu o BdP no início deste mês, sucedendo a Mário Centeno, salientou aos jornalistas que a “política monetária fez o que tinha de fazer para estar numa situação de estabilidade de preços”. “Sabemos o que aconteceu nos últimos anos, quando a inflação subiu para níveis bastante elevados que fez as pessoas perderem poder de compra”, sublinhou. Para o governador do BdP, a decisão do BCE de quinta-feira mostra que, neste momento, a inflação está no objetivo de 2%, “numa posição boa”. Álvaro Santos Pereira relembrou, no entanto, que, nos últimos anos, a zona euro registou muitos choques (económicos) — a pandemia da covid-19, a crise energética a seguir à invasão da Ucrânia e as tarifas dos Estados Unidos da América. “Por causa desses choques todos é importante termos margem para se houver outro choque maior, possamos reagir”, afirmou o governador do BdP, que, acompanhado do ministro da Educação, deu uma aula sobre literacia financeira na escola onde concluiu o ensino secundário, no âmbito do Dia da Poupança. O economista considerou esta iniciativa é da “maior importância” pelo facto de Portugal possuir índices de literacia financeira “bastante baixos”, comparando com outros países. “Esta iniciativa do Ministério da Educação, juntamente com as autoridades de supervisão, é fundamental para conseguirmos ajudar as pessoas quando têm de tomar decisões financeiras (para que) possam perceber melhor quais as consequências”, disse.
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