O sector industrial de Angola vai contribuir com 10% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2027. A informação foi avançada esta quarta-feira (29) pelo ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguéns de Oliveira, durante a 3.ª Cimeira sobre o Financiamento do Desenvolvimento de Infra-estruturas em África – um encontro continental que reúne líderes africanos, investidores e instituições financeiras para discutir o reforço da industrialização e das infra-estruturas no continente.

Na ocasião, o ministro sublinhou que este objectivo faz parte da estratégia nacional de diversificação económica e fortalecimento da base produtiva do país, tendo destacado ainda que o sector industrial, excluindo as áreas de mineração, petróleo e gás, procura desempenhar um papel fundamental na agregação de valor ao PIB das economias africanas, promovendo o emprego e reduzindo a dependência das importações.

Dados recentes indicam que o Índice de Produção Industrial (IPI) em Angola registou um aumento de 7,61% em Maio deste ano, representando uma aceleração de 8,85 pontos percentuais em relação ao mês de Abril. Este crescimento, segundo Rui Miguéns de Oliveira, reflecte a recuperação gradual da actividade produtiva e os resultados dos investimentos públicos e privados no sector.a d v e r t i s e m e n t

O ministro reconheceu, contudo, que apesar do lançamento do Plano de Acção para o Desenvolvimento Industrial Acelerado de África (AIDA) em 2008, a industrialização do continente continua a apresentar baixos níveis de valor acrescentado. Essa limitação deve-se, essencialmente, à forte dependência das exportações de matérias-primas, aos défices de infra-estruturas e às dificuldades de acesso ao financiamento.

“O processo de industrialização permanece centrado em produtos de baixa tecnologia, o que limita o crescimento da relação entre o valor acrescentado da indústria e o PIB. A contribuição de África nesta área mantém-se abaixo dos 13%”, afirmou o ministro, acrescentando que é urgente adoptar políticas de inovação tecnológica e capacitação industrial em todo o continente.

Além da fraca contribuição do sector industrial para o PIB, Rui Miguéns de Oliveira alertou que os desafios económicos e sociais de África são profundos. Sublinhou a necessidade de melhorar as condições de vida de cerca de 1,3 mil milhões de pessoas, criar mais de 15 milhões de empregos para jovens nos próximos anos e reduzir o atraso tecnológico que separa o continente da actual Quarta Revolução Industrial.

Nesse contexto, o governante defendeu a importância de os Estados africanos assumirem a liderança no financiamento do seu próprio desenvolvimento, através do reforço dos recursos internos. Para tal, considerou essencial financiar projectos estruturais com fundos nacionais, ao mesmo tempo que se atrai investimento estrangeiro para sectores estratégicos, como energia, transportes e tecnologia.

A 3.ª Cimeira, patrocinada pelo Presidente João Lourenço e pela União Africana, é coorganizada pela Comissão da União Africana (CUA) e pela Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD). O evento, que termina esta sexta-feira, visa mobilizar até 160 biliões de dólares para o continente e conta com 2000 delegados de todo o mundo.

Fonte: Angop

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