O Instituto de Amêndoas de Moçambique estimou, nesta quinta-feira, 30 de Outubro, que 7600 toneladas de castanha de caju, cultura de referência no País, foram contrabandeadas de Cabo Delgado para a Tanzânia na campanha 2024-25, provocando prejuízos de 114 milhões de meticais (1,7 milhão de dólares) ao Estado, informou a Lusa. “A questão-chave aqui é que normalmente esta castanha não é tributada”, apontou António Jone, delegado provincial do Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM) em Cabo Delgado, em declarações aos jornalistas. O Estado, adiantou Jone, “perde cerca de 1200 meticais por cada 80 quilos de castanha de caju, o equivalente a um saco, estimando desta forma o prejuízo, fiscal, de 114 milhões de meticais na última campanha, em Cabo Delgado”. “Esse de facto é o prejuízo”, acrescentou o delegado provincial. Por sua vez, o secretário de Estado de Cabo Delgado, Fernando Bemane de Sousa, admitiu que o contrabando é facilitado pela porosidade da fronteira com a Tanzânia, mas apelou à colaboração da população no combate à prática: “Nós temos uma fronteira muito aberta e as pessoas de facto saem”, afirmou o governante, alertando que “é preciso que este combate seja de cada um de nós, denunciar as pessoas que fogem. É proibido por lei alguém sair de um país para outro sem nenhum documento que comprove o movimento.” O Governo anunciou, a 24 de Outubro, que prevê investir 374 milhões de dólares para desenvolver o sector do caju e elevar a produção anual das actuais 158 mil toneladas anuais para 689 mil até 2034. A exportação de castanha de caju por Moçambique continua a crescer, atingindo 38,7 milhões de dólares no primeiro trimestre, liderando nas vendas ao exterior entre os designados “produtos tradicionais”, segundo o Banco de Moçambique (BdM). Dados do Ministério da Agricultura apontam que a produção de castanha de caju no País atingiu há 50 anos, ainda no período colonial, mais de 200 mil toneladas anuais e, até meados da década de 1970, Moçambique era o segundo maior produtor mundial de caju (210 mil toneladas processadas em 1973), atrás apenas da Índia, que comprava na altura, e ainda hoje, grande parte dessa produção. Após a independência de Moçambique, em 25 de Junho de 1975, a produção caiu para menos de 10%, para cerca de 15 a 20 mil toneladas anuais, mas tem vindo anualmente a crescer e na última campanha de 2024-25 destacou-se entre os maiores produtores, mantendo-se no sétimo lugar.advertisement

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