Um estudo da Weill Cornell Medicine publicado na Cancer Discovery, nos Estados Unidos, identificou um mecanismo crucial que impulsiona a propagação do cancro da mama triplo negativo (CMTN), uma das formas mais agressivas e resistentes ao tratamento. A investigação revela que uma enzima chamada EZH2 alimenta a divisão celular anormal, permitindo que as células cancerígenas metastizem, ou se espalhem, para órgãos distantes. A equipa descobriu que os medicamentos que bloqueiam o EZH2 podem ajudar a restaurar a divisão celular normal e a travar a metástase em modelos pré-clínicos.advertisement “A metástase é a principal razão pela qual as doentes com cancro da mama triplo negativo enfrentam baixas hipóteses de sobrevivência”, explica Vivek Mittal, investigador na Weill Cornell Medicine e líder do estudo. “O nosso estudo sugere uma nova abordagem terapêutica para bloquear a metástase antes que esta se instale e ajudar as doentes a ultrapassar este cancro mortal.” O CMTN não possui três receptores hormonais comuns dos quais outros cancros da mama dependem para terapias dirigidas, deixando a quimioterapia como a principal opção. Aproximadamente 5% das células dos tumores de TNBC são altamente propensas à metástase. Estas células apresentam instabilidade cromossómica e alterações epigenéticas, que afectam a forma como os genes são expressos sem alterar o próprio ADN. “A metástase é a principal razão pela qual as doentes com cancro da mama triplo negativo enfrentam baixas hipóteses de sobrevivência”, explica Vivek Mittal A equipa de Mittal identificou o EZH2 como o elo-chave entre estes processos. Normalmente, o EZH2 ajuda a regular o empacotamento do ADN, mas no TNBC torna-se hiperactivo, silenciando genes que garantem a divisão adequada dos cromossomas. Quando isto acontece, as células começam a dividir-se incorrectamente, produzindo células-filhas com erros genéticos graves que as tornam mais invasivas. Utilizando dados de doentes, os investigadores descobriram que níveis mais elevados de EZH2 estavam correlacionados com mais anomalias cromossómicas. Experiências em laboratório confirmaram depois que a inibição do EZH2 com tazemetostat, um medicamento contra o cancro, estabilizou a segregação cromossómica e reduziu a metástase em modelos murinos. Os investigadores descobriram também que o EZH2 interrompe a divisão celular ao silenciar o gene da tankyrase 1, levando a um excesso de outra proteína, a CPAP, que provoca a duplicação descontrolada dos centrossomas, as estruturas que separam os cromossomas. O resultado é o caos cromossómico e o crescimento agressivo do tumor. A equipa planeia agora explorar ensaios clínicos utilizando inibidores de EZH2 para prevenir metástases em cancro da mama triplo negativo (TNBC) e outros cancros marcados por instabilidade cromossómica semelhante. Fonte: Zap Aeiou
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