
Em comunicado, o i3S explica que o objetivo da investigação “é ultrapassar as limitações dos métodos tradicionais de análise genética e desenvolver vários ‘kits’ para responder a desafios em casos criminais, identificação de vítimas de catástrofes e avaliação legal da idade em processos de asilo”.
O consórcio europeu do projeto ForMAT – Forensic Methylation Analysis Toolsets reúne 11 parceiros, incluindo o i3S e a Universidade do Minho (UMinho), é coordenado pela Universidade de Santiago de Compostela, em Espanha, e recebeu um financiamento europeu superior a 4,6 milhões de euros.
No i3S, o projeto vai ser liderado pelas investigadoras Catarina Xavier e Nádia Pinto, do grupo Genética de Populações e Evolução, integrado na linha de investigação Modelos em Biociência (MoBio).
Catarina Xavier esclarece que a iniciativa “resulta de um esforço conjunto entre instituições de investigação, forças policiais e institutos forenses”, apostando “numa abordagem inovadora que vai além das técnicas convencionais, muitas vezes insuficientes em casos complexos ou com amostras degradadas”.
“A nossa proposta assenta na utilização de marcadores epigenéticos baseados na metilação do ADN (DNAm) como ferramenta de análise preditiva em aplicações forenses”, descreve.
Como “muitos casos forenses não produzem identificações através dos suspeitos habituais ou das bases de dados de ADN nacionais”, o projeto “propõe uma linha de investigação alternativa, centrada na estimativa da idade e estilo de vida, bem como na previsão do tipo de tecido presente numa mancha biológica de interesse criminal”, explica.
Nádia Pinto observa que tal “permite refinar os perfis dos suspeitos, acelerar a identificação de vítimas em situações de desastre e facilitar a devolução de restos mortais às famílias”.
“Nos pedidos de asilo, onde a comprovação da idade pode ser determinante e é frequentemente feita com recurso a radiografias, o ForMAT surge como uma alternativa menos invasiva, eliminando a necessidade de exposição à radiação ou servindo como seu complemento quando existem dúvidas”, assegura.
No âmbito deste projeto, vão ser desenvolvidos ‘kits’ específicos de DNAm e uma aplicação bioinformática preditiva, “destinados a apoiar o trabalho das autoridades forenses em diferentes contextos”.
De acordo com as investigadoras do instituto, estes ‘kits’ tiram partido das mais recentes tecnologias de sequenciação de nova geração (NGS), incluindo sequenciação de segunda e terceira geração, “permitindo uma análise de elevada precisão mesmo com ADN degradado – uma situação frequente em contexto forense”.
“O ForMAT promete, assim, dar um passo decisivo no avanço da medicina legal e da ciência forense, com impacto direto na investigação criminal e na segurança pública”, sublinha o i3S.
A equipa do i3S vai estar envolvida em várias fases do projeto, “nomeadamente no desenvolvimento de novas ferramentas de estimativa de idade com base em análises quantitativas de metilação do ADN através de tecnologias de sequenciação de nova geração (NGS), na criação de modelos estatísticos para previsão de tipo de tecido, e na conceção de ferramentas de bioinformática integradas”.
O i3S também vai apoiar “a transferência destas ferramentas para as forças de segurança, através de formação e atividades de disseminação”.
Neste projeto, a equipa do i3S contará com a colaboração do Ipatimup Diagnósticos, em particular da investigadora Iva Gomes, responsável pela Unidade de Genética Forense.
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