As euro-obrigações de Moçambique registaram uma valorização significativa na segunda-feira (27), na sequência do anúncio da TotalEnergies sobre o levantamento da cláusula de força maior que vigorava sobre o seu projecto de gás natural liquefeito (GNL) na província de Cabo Delgado. A decisão abre caminho para a retoma das obras de um dos maiores empreendimentos energéticos em curso no continente africano. De acordo com a Reuters, os títulos moçambicanos em dólares com maturidade em 2031 subiram mais de dois cêntimos, sendo transaccionados a 89,38 cêntimos por dólar às 11h12 de segunda-feira, hora de Londres. Esta valorização fez descer a sua taxa de juro para 12,53%, o nível mais baixo em duas semanas. A TotalEnergies, uma das principais companhias petrolíferas europeias, interrompera as operações em Cabo Delgado devido à intensificação dos ataques armados em 2021, tendo declarado força maior. A recente decisão de retomar o projecto surge num contexto de reforço da segurança na região, embora persistam preocupações com a estabilidade a longo prazo. O complexo de gás, com capacidade prevista para 13 milhões de toneladas métricas por ano, encontra-se, segundo estimativas, 40% concluído. A entrada em funcionamento está projectada para 2029, sendo amplamente considerado um pilar estratégico para a transformação económica do País, com potencial para gerar receitas de exportação significativas. Numa nota dirigida aos seus clientes, os analistas da Morgan Stanley, Neville Mandimika e Simon Waever sublinharam o contraste entre a fragilidade de curto prazo e o potencial de longo prazo de Moçambique, destacando os constrangimentos financeiros e as tensões políticas que se seguiram às eleições do ano passado. Esta valorização fez descer a sua taxa de juro para 12,53%, o nível mais baixo em duas semanas Ainda assim, reconheceram que, com estabilidade e reformas prudentes, o País poderá beneficiar de maior folga orçamental, melhorar a balança de pagamentos e estimular um crescimento económico mais amplo, impulsionado pelo sector energético. Observadores mantêm, no entanto, reservas quanto à evolução do ambiente de segurança em Cabo Delgado, região onde continuam activos grupos armados, apesar do apoio militar prestado por forças estrangeiras, nomeadamente do Ruanda. O anúncio da TotalEnergies surge dias depois de a petrolífera francesa ter comunicado formalmente ao Governo moçambicano o levantamento da cláusula de força maior, decisão que resulta de progressos no domínio da segurança, alcançados através de um acordo com o Ruanda para o reforço da protecção da Área 1 do projecto. De acordo com fontes governamentais citadas pelo Diário Económico, o entendimento com as forças ruandesas foi considerado “crucial” para garantir as condições mínimas de estabilidade na região de Cabo Delgado, permitindo assim a retoma das actividades de construção e de engenharia no terreno. Esta evolução marca um ponto de viragem no cronograma do investimento, que esteve suspenso durante mais de dois anos. Como funcionam as euro-obrigações emitidas por Moçambique? As euro-obrigações são títulos de dívida emitidos por Moçambique em moeda estrangeira — neste caso, em dólares norte-americanos — e transaccionados em mercados financeiros internacionais. Funcionam como um empréstimo obtido junto de investidores globais, aos quais o Estado moçambicano se compromete a pagar juros periódicos e devolver o capital na data de vencimento. Estes instrumentos são uma das principais formas de financiamento externo para países em desenvolvimento e o seu desempenho no mercado reflecte a confiança dos investidores na estabilidade económica e política do país emissor.

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