A Feira de Comércio Intra-Africana procurou dar um novo empurrão à Zona de Comércio Livre Continental, fulcral para as cadeias de valor locais. O Presidente Daniel Chapo participou na abertura do evento, em Argel, durante uma visita em que lançou bases para a cooperação económica entre os dois países. Poderão Moçambique e Argélia estar a lançar sementes para futura cooperação económica? A distância que separa os dois países africanos e as duas realidades tão distintas — entre o Norte de África e a África Austral — podem alimentar o cepticismo, mas a visita do Presidente moçambicano Daniel Chapo a Argel, no início de Setembro, pode mudar o cenário. Chapo convidou empresários argelinos para investirem na refinação de gás em Moçambique, referindo que o País está a tornar-se num dos “grandes produtores” — sendo que a Argélia está no “top 10” do exportadores mundiais. “Moçambique está a tornar-se um dos grandes produtores de gás natural em África e no mundo. Procuramos parcerias na refinação do gás, petroquímica e aproveitamento do gás para a industrialização”, disse Daniel Chapo, durante um encontro com empresários argelinos. O Presidente moçambicano deslocou-se a Argel no âmbito da 4.ª edição da Feira de Comércio Intra-Africana, organizada pelo Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank), com o objectivo de “impulsionar o comércio e o investimento em África.” Chapo apelou também à mobilização em torno de “oportunidades concretas de negócio”, convidando empresários a investir em Moçambique, que classificou como uma “porta de entrada” para a África Austral e oceano Índico. Uma posição que tem colocado o País na linha da frente de planos de investimento transnacionais, com potencial para a criação de cadeias de valor que podem beneficiar o conteúdo local. “O nosso objectivo é construir parcerias empresárias sólidas e mutuamente vantajosas, em linha com a visão africana de integração no quadro da zona de comércio livre continental (…). Estamos abertos a acolher empresários argelinos, nossos irmãos, que queiram investir e crescer connosco em Moçambique”, acrescentou o chefe do Estado. Atenções centradas no gás, mas não só O Presidente moçambicano destacou os cinco projectos de exploração de gás natural existentes no País, quatro dos quais em curso na zona norte do país (bacia do Rovuma) e o projecto mais antigo, da Sasol, da província de Inhambane. “Nós gostaríamos de ter estes negócios de prestação de serviços a estes megaprojectos com os nossos irmãos argelinos. Também (eles) já têm conhecimento bastante avançado e isso vai permitir-nos crescermos juntos”, referiu.Além do sector de hidrocarbonetos, Daniel Chapo convidou também os empresários argelinos a investirem nos sectores de energia e na indústria farmacêutica, referindo que Moçambique tem a Argélia como um “exemplo de referência” no sector. Ao nível dos princípios de governação, a visita serviu para reafirmar “o compromisso de Moçambique com a integração económica continental e com o fortalecimento de parcerias estratégicas no domínio do comércio e do investimento”, acrescentou a Presidência. O comércio entre os países do continente representa actualmente 15%, enquanto o comércio entre estes e a Europa ultrapassa os 30%, 20% com a China, e apenas cerca de 5% com os Estados Unidos, de acordo com o Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank) Ministro argelino demonstra interesse As palavras de Daniel Chapo parecem ter merecido a atenção da Argélia, dado que o país manifestou interesse em cooperar com Moçambique na área económica, com enfoque na energia, minas e gás natural, mostrando-se disponível a apoiar o País nos seus projectos de desenvolvimento. “Estamos muito felizes de ver o Presidente (de Moçambique) aqui na Argélia para fortalecer esta relação, sobretudo, a relação económica. Estamos disponíveis e dispostos a contribuir em vários projectos de grande valor no domínio da energia, das minas, das energias renováveis ​​(e) no desenvolvimento de gás natural”, disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia argelino, Mohamed Arkab. Arkab sublinhou que os dois países pretendem colaborar também noutros sectores, no âmbito do reforço das relações bilaterais que podem vir a beneficiar as empresas locais moçambicanas Argélia manifestou interesse em cooperar com Moçambique na área económica como o gás natural Um feira para abrir portas por dentro de África A quarta edição da Feira de Comércio Intra-Africano (IATF, na sigla em inglês) foi inaugurada pelos Presidentes de Moçambique, da Mauritânia, da Tunísia, da Líbia, do Chade e da Argélia, país que se ofereceu como “passarela” para as transacções entre o continente africano e a Europa, com a assinatura de acordos de milhões de euros. Com o objectivo de impulsionar as relações comerciais e acordos comerciais importantes, a IATF reuniu mais de 2000 expositores de 80 países.“A nossa reunião não é apenas um evento económico, mas (também) para construir um continente integrado e eficaz no seu âmbito regional e internacional”, declarou o Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, durante a cerimónia inaugural. Tebboune alertou para a ausência de África no mercado mundial, apesar de terem sido realizadas inúmeras iniciativas nas últimas duas décadas, incluindo uma Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZLECAF, na sigla em francês), em vigor desde 2021. A nossa reunião não é apenas um evento económico, mas (também) para construir um continente integrado e eficaz no seu âmbito regional e internacional”, declarou o Presidente argelino, Abdelmadjid Tebbounes Este encontro de instituições e empreendedores africanos visa acelerar a activação desta zona para a liberalização do comércio de bens e serviços entre os 54 países da ZLECAF, que constituem o maior espaço comum do mundo. A IATF, a maior plataforma de parceiros para o comércio em África, criada em 2018, espera impulsionar “os fluxos comerciais intra-africanos”, “promover investimentos em todos os campos” e “fortalecer a competitividade africana.” O comércio entre os países do continente representa actualmente 15%, enquanto o comércio entre estes e a Europa ultrapassa os 30%, 20% com a China e apenas cerca de 5% com os Estados Unidos, de acordo com a organização, o Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank). Um mercado imenso à espera de activação O mercado africano conta com mais de 1,4 mil milhões de consumidores, pelo que certames com o de Setembro, em Argel, visam expandir o comércio interno africano até 30% em 2030. Olusegun Obasanjo, ex-Presidente da Nigéria e actual líder do Conselho Consultivo da IATF, destacou a necessidade de reforçar a cooperação entre diferentes sectores para construir um mercado continental mais resiliente e competitivo e incentivou a transformação económica de África. O Presidente argelino anunciou, durante este evento, projectos ferroviários com os vizinhos Mali e Níger, países com os quais actualmente mantém um arrefecimento diplomático. A primeira edição da IATF foi realizada no Cairo em 2018, seguida pela de Durban (África do Sul) em 2021, antes de voltar a ser organizada na capital egípcia em 2023. A organização anunciou que o próximo encontro será em Lagos, capital da Nigéria, em 2027. Texto: Redacção • Fotografia: DR

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