O director-executivo da diamantífera estatal angolana, Endiama, José Manuel Ganga Júnior, afirmou nesta sexta-feira (24) que apresentou uma “proposta concreta e bem definida” para comprar a participação da Anglo American de 85% na De Beers, enfrentando a concorrência de, entre outros, o Botsuana. Em entrevista à agência de informação financeira Bloomberg, citada pela Lusa, Ganga Júnior referiu que, depois da proposta, seguem-se “acções subsequentes” que não enumerou, argumentando com a confidencialidade do processo de compra da participação de 85% da Anglo American na diamantífera De Beers, uma das maiores e mais conhecidas do mundo. A oferta feita pela Endiama revela uma aprofundamento das ambições de Angola no sector dos diamantes, escreve a Bloomberg, lembrando que o Ministério das Minas tinha anunciado em Setembro que pretendia adquirir uma participação minoritária “estratégica” na De Beers, com o objectivo de promover uma parceria com o Botsuana.advertisement A Anglo, cotada na bolsa de Londres, pretende alienar a sua participação de 85% na icónica mineradora de diamantes como parte de um processo de reestruturação que começou há 17 meses, com grupos de investidores liderados pelos ex-executivos da De Beers Gareth Penny e Bruce Cleaver a entrarem na disputa quando o processo formal de venda teve início em Junho. A Endiama espera que Angola “chegue a um entendimento” com o Botsuana, declarou Ganga Júnior, recusando-se a dizer se as discussões já tiveram lugar, acrescenta a Bloomberg, salientando que apesar de o país estar a licitar a participação total da Anglo na De Beers, o resultado final é incerto. A De Beers é “uma empresa tão grande que acreditamos que há espaço para vários parceiros”, salientou o líder da Endiama, mas o Botsuana, como actual accionista da De Beers, tem o direito de igualar quaisquer ofertas de partes externas. A empresa angolana está a procurar explorar a tecnologia de mineração proprietária da De Beers, juntamente com o seu sistema de marketing, disse Ganga Júnior. “Estes são factores que, se fizermos parte da De Beers, nos permitirão automaticamente dar passos maiores em frente”, argumentou. O Botsuana — onde a De Beers extrai a maior parte das suas gemas — também pretende aumentar a sua participação de 15% para uma participação maioritária, com o Presidente, Duma Boko, a considerar que este esforço de aprofundamento do envolvimento na empresa é “uma questão de soberania económica”. Angola é o maior produtor de diamantes de África em valor, com a produção do ano passado a ultrapassar a produção do Botsuana pela primeira vez em duas décadas, de acordo com o último relatório do Processo de Kimberly, um programa de certificação internacional. “A produção de diamantes de Angola deverá atingir 16,1 milhões de quilates este ano, um valor superior ao valor previsto para o Botsuana, de 15,1 milhões de quilates”, uma diferença que poderá ser ainda maior se várias minas de diamantes permanecerem encerradas por um período prolongado no Botsuana Numa análise divulgada em Setembro, a consultora Oxford Economics previa que Angola mantivesse a liderança africana no sector da produção de diamantes este ano, à frente do Botsuana. “A produção de diamantes de Angola deverá atingir 16,1 milhões de quilates este ano, um valor superior ao valor previsto para o Botsuana, de 15,1 milhões de quilates”, uma diferença que poderá ser ainda maior se várias minas de diamantes permanecerem encerradas por um período prolongado no Botsuana. Na nota, os analistas alertavam, no entanto, que o aumento da produção não significa um ganho significativo, primeiro, porque já no ano passado o valor das vendas de diamantes em Angola superou o do Botsuana (1,41 mil milhões de dólares, em Angola, contra 1,36 mil milhões de dólares, no Botsuana), e depois porque as mudanças estruturais no sector, com o aumento dos diamantes produzidos em laboratório, fazem com que “o momento para Angola se tornar uma potência diamantífera não poderia ser pior.”

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts