advertisement A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou para a deterioração das condições de vida, como falta de água e saneamento, nos centros de reassentamento das vítimas da nova onda de ataques terroristas na província de Cabo Delgado, região norte de Moçambique. “As condições de vida nos acampamentos estão a deteriorar-se, principalmente devido ao acesso limitado à água potável e saneamento. A situação deve piorar com a chegada da época chuvosa e o aumento do risco de doenças transmitidas pela água”, avança um relatório citado pela Lusa. A entidade recordou que nos últimos tempos registou-se uma nova vaga de ataques atribuídos a grupos terroristas, que provocou quase 93 mil deslocados de Cabo Delgado e Nampula, acrescentando que estão a ser intensificadas as actividades de acompanhamento médico, sobretudo em três centros de reassentamento, nomeadamente Eduardo Mondlane, Nandimba e Lianda, no distrito de Mueda, onde se estima que tenham chegado 23 mil deslocados. “Mesmo que não vejamos muitas emergências médicas agudas no momento, as necessidades de saúde persistem. O sistema local não consegue lidar com a chegada contínua de pessoas em busca de segurança, o que pressiona recursos já limitados”, disse Pedro Basílio, supervisor da MSF, citado no documento. O responsável explicou que só nos centros de reassentamento de Mueda, os elementos dos MSF visitaram, entre 3 e 15 de Outubro, pelo menos 970 famílias, tendo encaminhado 315 pessoas que precisavam de atendimento médico para o Hospital Distrital ou para o centro de saúde mais próximo. “As equipas também realizaram mais de 400 sessões de sensibilização em grupo, que contaram com a presença de mais de 4500 pessoas”. Face aos impactos psicológicos causados pelos repetidos deslocamentos e insegurança prolongada, Basílio estarem a decorrer actividades de saúde mental e apoio psicossocial em Mueda, complementando as intervenções comunitárias em andamento. Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos. Em Abril, os ataques alastraram também à vizinha província do Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva do Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de, pelo menos, duas pessoas, e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.advertisement
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