advertisemen tO consultor de desenvolvimento económico Mário Rui Pires afirmou nesta sexta-feira (24) que África e Angola enfrentam desafios para identificar projectos exequíveis e economicamente sustentáveis, para captação de financiamento para infra-estruturas, mostrando-se céptico quanto às projecções da cimeira de Luanda. A capital angolana acolhe na próxima semana, entre 28 e 31 de Outubro, a terceira Cimeira sobre Financiamento para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África, com as autoridades angolanas a projectarem uma mobilização de até 160 mil milhões de dólares. Para Mário Rui Pires, antigo secretário de Estado para o Investimento Público de Angola, nesta cimeira, também enquadrada nas actividades celebrativas dos 50 anos de independência da nação angolana, os países deveriam ter capacidade de apresentar candidaturas para captar financiamento para as respectivas infra-estruturas. “Os países terão de ter capacidade para apresentar candidaturas que se enquadrem em dois modelos de financiamento: financiamento ao país e financiamento com a possibilidade de o sector privado ser parte do modelo de execução, o que designamos, popularmente, por parcerias público-privadas”, afirmou. Segundo o consultor, entidades financiadoras estão actualmente centradas em projectos auto-sustentáveis, ou seja, geradores de receitas para pagar o financiamento nos prazos e juros acordados com os respectivos parceiros, considerando tratar-se do “ponto mais crítico” no contexto de África, e, particularmente, de Angola. “Aí começa o primeiro problema, e muito mais para o caso particular de Angola (…), porque nós temos uma grande dificuldade de fazer a pré-preparação dos projectos – um modelo que demonstre realmente a sustentabilidade dos mesmos”, frisou. O principal desafio no domínio do financiamento às infra-estruturas no continente “é conseguir identificar projectos que sejam fazíveis e que sejam economicamente sustentáveis”, insistiu. “Os países terão de ter capacidade para apresentar candidaturasque se enquadrem em dois modelos de financiamento”Mário Rui Pires – Consultor O responsável apontou a anunciada pretensão das autoridades angolanas de construírem uma auto-estrada para ligar as regiões norte e sul do país – troço Soyo/Dante até à fronteira sul da Clara (Cunene) – como exemplo paradigmático, considerando que Angola não tem tráfego para infra-estruturas dessa natureza. “Hoje temos dois problemas nas estradas nacionais: a sua qualidade, que tem essencialmente que ver com a sua manutenção, e o problema de elas passarem no meio das cidades”, disse. Como solução, apontou a construção de circulares para retirarem o trânsito dos centros urbanos, o que contribuiria para a redução do tráfego e do tempo de viagem. “Hoje uma auto-estrada não tem sustentabilidade económica”, considerou. Para Mário Rui Pires, as autoridades angolanas e do continente precisam de entender que os projectos “têm de ser preparados e têm de ter por detrás um desenho económico que diga ao financiador que o mesmo tem sustentabilidade para se pagar, para não cairmos em projectos que forcem garantias soberanas do Estado, que nós sabemos hoje não ter grande espaço de manobra para os fazer, tendo em conta o nosso nível de endividamento”, sustentou. “Fazer esta cimeira em Angola é uma oportunidade de vermos uma forma completamente diferente de financiar infra-estruturas”Mário Rui Pires A cimeira de Luanda, que conta com apoio técnico da Agência para o Desenvolvimento da União Africana (UA), prevê mobilizar até 160 mil milhões de dólares, para fazer face à actual lacuna financeira para a construção de projectos estruturantes no continente, segundo o presidente do conselho de administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola, Arlindo Rangel, citado pelo Portal do Governo de Angola. Rui Pires considerou as projecções financeiras desta cimeira “muito elevadas” referindo, no entanto, que as necessidades de investimentos em infra-estruturas em África até 2050 “estão avaliadas em três triliões de dólares.” “Cento e sessenta mil milhões de dólares são apenas 5% do valor que foi projectado até 2050, mas parece-me um número muito elevado para ser captado numa cimeira destas, exceptuando se os países realmente, seja individual ou colectivamente, para projectos multinacionais, venham bastante preparados. Vamos ver ao longo da cimeira que projectos vão ser apresentados”, declarou. O especialista em desenvolvimento económico disse acreditar que alguns “com melhor organização e experiência”, nomeadamente Nigéria, Gana, Senegal, Costa do Marfim, Quénia, Etiópia, África do Sul, Egipto, Tunísia e Marrocos, possam conseguir captar financiamentos nesta cimeira. Rui Pires considerou as projecções financeiras desta cimeira “muito elevadas” referindo, no entanto, que as necessidades de investimentos em infra-estruturas em África até 2050 “estão avaliadas em três triliões de dólares” “Fazer esta cimeira em Angola é uma oportunidade de nós vermos uma forma completamente diferente de financiar infra-estruturas que, até agora, pensámos ser da exclusividade do Estado”, concluiu. Mais de dois mil delegados, entre chefes de Estado, ministros, empresários e representantes de instituições financeiras devem participar neste encontro, estimam as autoridades angolanas. O financiamento e construção de infra-estruturas são uma das principais bandeiras da presidência rotativa de Angola na União Africana (UA), assumida a 15 de Fevereiro de 2025 pelo Presidente João Lourenço. O objectivo é mobilizar recursos internacionais para projectos estruturantes em sectores como transportes, energia, telecomunicações, agricultura, saúde e educação, promovendo o desenvolvimento sustentável e a integração continental.

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