Cerca de 70% dos alimentos disponíveis no mercado moçambicano cumprem os padrões de qualidade exigidos no âmbito da fortificação alimentar, segundo revelou a coordenadora nacional do Programa de Fortificação de Alimentos (CONFAM), Eduarda Mungoi. De acordo com a Agência de Informação de Moçambique, o dado foi apresentado esta quinta-feira (24), em Maputo, durante um workshop de divulgação dos resultados do projecto Pull Strategy, que visa a monitoria do mercado por organizações da sociedade civil. De acordo com Eduarda Mungoi, a totalidade das amostras recolhidas em mercados e grandes superfícies apresentava sinais de fortificação, sendo que apenas 70% estavam adequadamente fortificadas. O estudo abrangeu produtos como farinha de trigo, óleo alimentar, açúcar e sal, nas províncias de Maputo, Sofala e Nampula. “Alguns produtos, nacionais ou importados, apresentaram níveis de fortificação abaixo do exigido, mas esta variação de cerca de 30% demonstra que a indústria tem vindo a reforçar os seus esforços”, sublinhou a responsável do CONFAM. A coordenadora referiu ainda que a recente revisão do Decreto sobre a Fortificação de Alimentos, aprovada pelo Conselho de Ministros a 14 de Outubro, vai permitir um maior alinhamento com o actual contexto de descentralização, acelerando a implementação do programa. O evento contou com a participação de várias organizações da sociedade civil, nomeadamente a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) e a Pro-Consumers – Associação para o Estudo e Defesa do Consumidor, que colaboraram na recolha de dados. Para Alexandre Bacião, director executivo da Pro-Consumers, este estudo contribui para assegurar os direitos dos consumidores à saúde, à vida e à qualidade dos produtos: “É com satisfação que participamos neste esforço conjunto para garantir um mercado alimentar mais seguro”, afirmou. Já a representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Lara Machuama, destacou a relevância da fortificação para o combate às carências nutricionais no País, particularmente entre crianças e populações vulneráveis. “Este tipo de monitoria permite identificar falhas, reforçar a fiscalização e apoiar os produtores a melhorar os seus processos”, declarou. O estudo, conduzido com o apoio técnico da Iniciativa para a Fortificação de Alimentos (FFI) e da UNICEF, reforça a necessidade de articulação entre o Governo, a sociedade civil e o sector privado para garantir uma alimentação mais nutritiva e segura para todos os moçambicanos.
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