advertisement O comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Joaquim Sive, reconheceu esta quinta-feira, 23 de Outubro, em Nampula, o envolvimento de alguns agentes da corporação em crimes de tráfico de drogas e mineração ilegal, afirmando que tais práticas estão a manchar a imagem da instituição, informou a agência Lusa. “Há situações que nos preocupam, de algum envolvimento de colegas nossos em actos criminais, alguns com participação directa, e outros que orientam alguns criminosos”, declarou Joaquim Sive, durante um encontro com oficiais e chefes de diferentes unidades policiais na província. Segundo o dirigente, as investigações em curso já permitiram identificar casos concretos, incluindo dois agentes implicados na mineração ilegal em Nampula. “O nível de controlo que temos vai permitir provar que o crime não compensa e nunca compensou”, garantiu o comandante. Joaquim Sive reconheceu ainda que episódios de má conduta e corrupção dentro da corporação têm contribuído para a perda de confiança da população em relação à polícia. “Estamos numa situação em que a população tem alguma desconfiança de nós. Há um tecido nosso que se rompeu com a população por conta das situações ocorridas num passado muito recente”, lamentou. Apesar do contexto, o comandante-geral apelou à reconstrução do diálogo e da confiança entre a polícia e os cidadãos, sublinhando que as acções da corporação devem demonstrar “compromisso real em servir e proteger o cidadão.” “Temos de nos entender com a população, mas também é preciso que tenhamos atitude, que tenhamos actos”, frisou, pedindo aos agentes uma mudança de comportamento e uma maior ética profissional. O comandante-geral da PRM aproveitou igualmente para criticar os agentes que partilham informações confidenciais da instituição, prática que, segundo disse, tem dificultado o combate ao crime. “A população denuncia a existência de malfeitores e há algum que revela a fonte da informação. Temos de falar com os nossos homens para melhorarmos a nossa acção e interacção com a população”, afirmou. Joaquim Sive concluiu a sua intervenção destacando que a coesão interna, a disciplina e a formação contínua são fundamentais para garantir a segurança pública e a eficácia da corporação, especialmente numa província como Nampula, onde os desafios criminais são cada vez mais complexos.advertisement
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