O projecto Mozblue começou a replantar mangal e já cobriu 1300 hectares. Os créditos serão repartidos em três partes iguais entre a empresa promotora, parceiros governamentais e comunidades locais. A empresa Blue Forest, sediada no Dubai, anunciou um marco importante no projecto MozBlue: dez milhões de pés de mangal já foram plantados pelas comunidades locais ao longo da costa da província da Zambézia, desde Novembro de 2024. “A campanha já restaurou 1300 hectares de costa degradada e atingirá os 30 000 hectares quando estiver totalmente implementada em 2030”, indica a empresa de desenvolvimento de projectos de carbono azul, que apresenta o trabalho em Moçambique como a sua principal aposta global. A abordagem “coloca as comunidades locais no centro da restauração de ecossistemas em grande escala.” São apresentadas no relatório da empresa como “guardiãs do projecto”. A Blue Forest iniciou contactos com as autoridades e comunidades locais em 2021. Trabalhou em conjunto com 300 comunidades costeiras e 20 parceiros para garantir o que se designa como Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI), estabelecer a certificação de terras, criar associações e assinar acordos juridicamente validados por um prazo de 60 anos, estabelecendo “um novo marco para a restauração participativa e a gestão a longo prazo.” Este é o recurso vital para todos os envolvidos, um ecossistema para fixar carbono, transaccionável na forma de créditos, para ajudar os investidores, empresas e entidades emissoras de gases com efeito de estufa em qualquer parte do mundo a mitigar o seu impacto no planeta e a cumprirem os seus objectivos de sustentabilidade (ver caixa).advertisement Mais biodiversidade e mais resiliência Além de entrar no mercado internacional de créditos de carbono, estima-se que o esforço “traga da volta a vida a habitats de mangais degradados, impulsione a biodiversidade e fortaleça a resiliência costeira contra tempestades e a subida do nível do mar”, argumenta a Blue Forest, com base nos ensinamentos da natureza onde estes ecossistemas são preservados. A costa nas regiões da Zambézia e Sofala é um ponto natural de embate de ciclones na rota meteorológica anual (entre Dezembro e Abril). Conseguir ter plantas que fixem os solos e ajudem a drenar inundações de forma natural é um mecanismo que pode salvar vidas. A empresa promete “impactos económicos transformadores: o projecto criou 1250 postos de trabalho locais até à data, e apoia meios de subsistência sustentáveis” através de aquacultura, produção de sal e acesso a água potável. A expectativa é que os números cresçam à medida que a área coberta avança. O objectivo é ter no terreno “as melhores práticas sustentáveis para a resolução de problemas climáticos” e promover “justiça social” “O MozBlue é uma demonstração clara de que a acção climática e o desenvolvimento comunitário andam de mãos dadas”, destacou Vahid Fotuhi, fundador e CEO da Blue Forest, a propósito da cimeira dos Oceanos, em Nice, França, no mês de Junho. “Não estamos apenas a plantar árvores, estamos a restaurar a resiliência das comunidades costeiras que menos têm contribuído para as alterações climáticas e que, ainda assim, são as que mais sofrem.” Colaborações com Removall, Sumitomo e UICN A primeira fase do projecto está a ser desenvolvida em colaboração com a Removall Carbon e a Sumitomo Corporation. Os dois parceiros internacionais vão gerir a venda dos créditos de carbono da “fase 1” para financiar os compromissos comunitários do projecto a longo prazo. Esta fase inicial deverá restaurar 5116 hectares de costa. Em 2024, a Blue Forest anunciou a licença de operação para aquilo que designa como “um dos maiores projectos de restauração de mangais do mundo”, desde a cidade da Beira, a sul, passando por Chinde – delta do Rio Zambeze – e Zalala, até Pebane, a norte. A empresa apresenta-se de braço dado com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), “uma parceria para implementar as mais recentes pesquisas e tecnologias em prol de uma economia internacional com emissões líquidas zero” (“net zero”). O objectivo é ter no terreno “as melhores práticas sustentáveis para a resolução de problemas climáticos” e promover “justiça social.” Os financiadores, investidores e decisores políticos “precisam de ter a certeza de que as soluções baseadas na natureza que apoiam são eficazes e escaláveis.” A empresa reconhece que não é fácil ter o conhecimento especializado para este tipo de projectos ou “os recursos necessários” para os analisar e avaliar. “O Padrão Global da IUCN ajuda a preencher esta lacuna” no MozBlue, explica, a par da colaboração de dezenas de parceiros. A Empresa e os Projectos A Blue Forest é uma empresa global de desenvolvimento de projectos de restauração de mangais em grande escala, com sede no Dubai, Emirados Árabes Unidos. Detém actualmente seis projectos em África e na Ásia. O projecto de Moçambique é o único já em fase de implementação, decorrendo o processo de desenvolvimento na Tanzânia, Guiné Bissau, Costa do Marfim e Vietname, enquanto um outro projecto, na Indonésia, está em concepção. Texto: Redacção • Fotografia: DR
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