Ásia com maioria de perdas. Investidores nervosos com “earnings season” e guerra comercial


Depois de terem atingido novos máximos históricos durante grande parte da semana, a maioria dos principais índices asiáticos fecharam no vermelho, à medida que os investidores mostram alguns sinais de preocupação com os resultados trimestrais das empresas, bem como no que toca à relação comercial entre Washington e Pequim. Por cá, os futuros europeus seguem a negociar sem grandes alterações.


Entre os principais índices da região, todos terminaram a sessão em máximos de fecho. Pelo Japão, o Nikkei caiu 1,41% e o Topix perdeu 0,44%. Já o sul-coreano Kospi recuou 0,79%. Na China, o Hang Seng de Hong Kong valorizou 0,88% e o Shanghai Composite subiu 0,12%.


O índice regional MSCI Ásia-Pacífico, que tinha acompanhado a valorização do ouro na segunda-feira ao atingir um novo máximo histórico, recuou hoje cerca de 0,50%, refletindo as quedas registadas na maioria dos grandes mercados asiáticos, com os investidores da região a “ecoar” o tom de nervosismo que dominou a sessão de ontem em Wall Street.


O nervosismo dos investidores prende-se com uma mistura de receios macroeconómicos gerais e preocupações com os lucros das cotadas, sendo que no plano comercial, a Administração Trump disse que está a considerar restrições às exportações de software para a China, arriscando uma nova escalada das tensões comerciais entre os dois blocos.


Nesta linha, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, deve reunir-se com os seus homólogos chineses no fim de semana, antes das conversas entre Trump e Xi Jinping.


Os mercados estão nervosos com a tensão entre os EUA e a China e, «embora provavelmente seja apenas mais uma situação TACO (‘Trump always chickens out’), e mesmo que todos saibam que é assim que as coisas funcionam, ainda há pessoas que precisam reagir até que as coisas acalmem”, disse à Bloomberg Ryuta Otsuka, da Toyo Securities. No Japão, a recém-nomeada primeira-ministra Sanae Takaichi ordenou uma nova leva de medidas económicas para apoiar as famílias.


Entre os movimentos do mercado, as ações da Pop Mart International Group — que mais do que duplicaram este ano — caíram mais de 8%, com os investidores a mostrarem preocupações com as perspetivas de vendas a longo prazo da fabricante dos Labubus. Além disso, ações asiáticas do setor energético, incluindo a PetroChina (+2,81%) e a Guanghui Energy (+1,13%), acompanham a subida dos preços do “ouro negro”, depois de a Administração norte-americana ter anunciado a imposição de sanções a dois dos maiores fabricantes de crude russos, numa tentativa de levar Putin a sentar-se à mesa das negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia.

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