a d v e r t i s e m e n tA presidente da Federação de Mineiros do Zimbabué (ZMF), Henrietta Rushwaya, acusou alguns cidadãos chineses de matarem, maltratarem e explorarem mineiros de pequena escala, advertindo que o Governo corre o risco de enfrentar uma revolta no sector aurífero se não travar estes abusos.

Rushwaya afirmou que os mineiros de pequena escala estavam “a sangrar por dentro” ao suportarem níveis crescentes de violência e maus-tratos às mãos de alguns investidores estrangeiros.

“Enquanto mineiros de pequena escala, não estamos satisfeitos com a forma como os estrangeiros, em particular os chineses, nos tratam. O nosso povo está a ser morto e maltratado a sangue-frio”, declarou Rushwaya durante a exposição Mine Entra, realizada em Bulawayo na semana passada.

A representante afirmou que os mineiros mantiveram-se disciplinados e produtivos apesar das tensões, com as entregas de ouro por produtores de pequena e de grande escala a atingirem 33 toneladas até ao final de Setembro.

As relações entre mineiros locais e chineses deterioraram-se nos últimos anos, no meio de relatos de confrontos violentos, agressões e litígios laborais.

A embaixada da China em Harare emitiu recentemente um comunicado raro e de tom firme dirigido aos seus nacionais a operar no Zimbabué, apelando ao cumprimento das leis locais, ao respeito pelas comunidades e à abstenção de envolvimento em conflitos ou práticas prejudiciais ao ambiente.

O comunicado instou as empresas chinesas a “construírem confiança através da responsabilidade comunitária e ambiental”, promovendo práticas laborais justas e respeito pelas leis ambientais.

“Actuem como parceiros no desenvolvimento do Zimbabué”, fez saber a embaixada, acrescentando que “as iniciativas de responsabilidade social corporativa são vivamente encorajadas como demonstrações visíveis de boa-fé. Tais esforços proactivos promovem confiança mútua e reforçam as relações com as comunidades.”

“Ao acolhermos investidores na nossa jurisdição, esperamos que cumpram a Constituição da República e as leis, respeitando também o nosso povo, os nossos costumes e a nossa cultura.”Emmerson Mnangagwa – PR Zimbabué

O Governo prometeu repetidamente uma regulamentação mais rigorosa dos investidores estrangeiros no sector, mas a aplicação das medidas tem permanecido fraca.

Ao discursar na conferência anual do Zanu PF, que terminou no último sábado (18), o Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, não mencionou especificamente os chineses, tendo dito aos seus apoiantes: “Ao acolhermos investidores na nossa jurisdição, esperamos que cumpram a Constituição da República e as leis, respeitando também o nosso povo, os nossos costumes e a nossa cultura.”

As operações mineiras chinesas também têm sido criticadas pelos danos ambientais, particularmente na vila de Mutoko, onde os habitantes responsabilizam as detonações por fendas nas casas, destruição de terras agrícolas e contaminação de fontes de água. As comunidades afirmam que pouco têm beneficiado da exploração dos seus recursos.

Em alguns casos, os mineiros que apresentaram queixas sofreram retaliações brutais. Em 2020, dois trabalhadores foram alegadamente baleados e feridos pelo seu patrão chinês após se queixarem de salários em atraso. “Isto é totalmente inaceitável. Somos cidadãos pacíficos e cumpridores da lei, mas não permitiremos que os nossos companheiros mineiros sejam mortos na sua própria terra.”

Fonte: ZimLive

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